Bloco Afro Bankoma desfilou no Campo Grande nesta quinta-feira (8)

21/02/2024
Com o tema “Ninjila Dja Mya Ukulu: Caminhos do Tempo”, o bloco Afro Bankoma desfilou nesta quinta-feira,  8 de fevereiro, no circuito Osmar (Campo Grande) e levou a energia da cultura da religião de matriz africana para as ruas. Famílias, adultos, jovens, crianças e idosos pautaram lutas, religiosidade, resistência e muito axé. À frente do bloco, baianas levando cestas com flores, pipocas e milho branco abriam a musicalidade do tambor no trio.

O Bankoma é único grupo no carnaval de Salvador, oriundo de outro municipio, contemplado na iniciativa do Carnaval Ouro Negro. O Bloco nasceu no município de Lauro de Freitas, no Terreiro São Jorge da Goméia, tem suas raízes no candomblé e mantém um trabalho social na região. Mameto Kamurici, líder religiosa da casa e presidenta do bloco afro do Bankoma, salientou o quanto é importante o bloco desfilar em Salvador, “é maravilhoso poder ter essa oportunidade de participar do maior carnaval de rua do mundo". Ela ainda destaca que essa visibilidade é uma luta contra a intolerância religiosa.

Da mesma forma, Jéssica Neves, pedagoga, ressaltou com alegria que “saímos da região metropolitana de Salvador para fazer esse momento histórico. Levando o povo da comunidade para o carnaval, a maior vitrine, para mostrar que o povo de Lauro de Freitas tem muita cultura, luta e raça”. Para ela, mais do que desfilar na Avenida, o Bankoma é “um grito de liberdade pelo culto aos ancestrais, aos orixás e todas as entidades religiosas de matriz africana".

Oportunizar a saída do bloco Afro no carnaval de Salvador é um ato de luta e resistência negra. Além de uma reparação social na cultura baiana. Sandra Cruz, médica, afirma que é preciso tornar o carnaval mais negro. Ela destaca que “tornar o carnaval mais preto é um dever social. Isso aqui representa a nossa resistência, precisamos preservar nossa música, nossa dança, nosso turbante”.O Bloco Afro Bankoma tem uma nova participação no carnaval de Salvador no sábado, 10 de fevereiro, a partir das 18h, no circuito Osmar ( Campo Grande) e também possui compromissos sociais e culturais com o bairro de Portão, em Lauro.

Carnaval Ouro Negro 2024 - O Carnaval da Bahia é Ouro Negro. Em 2024, foram investidos R$15 milhões para proporcionar o apoio a mais de 170 grupos dos segmentos afro, afoxé, samba, reggae e de índio. Só no carnaval de Salvador são mais de 100 entidades que desfilam nos circuitos oficiais da folia. Entre as entidades contempladas estão grupos tradicionais como o Olodum, Ilê Aiyê, Filhos de Gandhy, Muzenza e Cortejo Afro.  A Sepromi e a SecultBA amplia sua parceria com blocos tão importantes com o intuito de preservar a tradição destes na folia soteropolitana e nas suas comunidades de origem, valorizando as nossas matrizes africanas.