Governo realiza Semana Cultural Indígena nas Escolas

17/04/2023
A Semana Cultural Indígena nas Escolas teve início nesta segunda-feira (17), no Colégio Estadual Edvaldo Brandão Correia, em Cajazeiras IV, Salvador. Iniciativa do Governo do Estado, por meio das secretarias de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi) e da Educação (SEC), o projeto percorre instituições de ensino da rede pública e particular da capital baiana, até a próxima quinta-feira (20), com rodas de conversa, apresentações culturais, exposição de artesanato e oficinas temáticas.

“O intuito é visibilizar a presença indígena, demonstrar a grande diversidade existente entre os povos originários, além de oportunizar aos participantes a interação positiva e a troca de saberes num contexto de relações interculturais”, destaca a superintendente estadual de Políticas para os Povos Indígenas, Patrícia Pataxó.

Desconstrução de estereótipos - A abertura da Semana contou com a participação de representantes dos povos Kaimbé, Kiriri, Pataxó, Tupinambá e Huni Kuin. A estudante Melrilly Kaimbé, 18 anos, compartilhou com a comunidade escolar as vivências de seu grupo, situado no município de Euclides da Cunha, no norte da Bahia. “O encontro é importante, porque conseguimos desconstruir alguns pensamentos que as pessoas têm sobre a gente, mostrar quem somos, onde estamos e o que queremos”, avalia a jovem.

Estudante do 1º ano, Luan Santana afirma que o projeto trouxe uma nova visão sobre os indígenas. “Estamos conhecendo a verdadeira história deles, as mudanças que aconteceram ao longo do tempo e o movimento de luta”, explica. “Cada povo fala uma coisa diferente e vamos aprendendo um pouco sobre a cultura deles”, completa a aluna do 2º ano Maria Luísa Freitas. 

O coordenador executivo de Políticas para os Povos Indígenas da Sepromi, Jerry Matalawê, destaca que a Bahia tem, pelo menos, trinta povos indígenas, todos eles com características específicas. “São grupos que exercem sua indianidade de maneira muito particular e precisam ter a garantia de direitos, como acesso à terra, manutenção de sua memória e identidade, educação multicultural, saúde de qualidade. A nossa presença nas escolas é uma oportunidade para que as pessoas possam visualizar melhor essas questões e esclarecer  dúvidas”, acrescenta.

Educação para a diversidade – A Semana Cultural Indígena nas Escolas também integra os esforços da Sepromi e da SEC para garantir o cumprimento da Lei nº 11.645/2008, que tornou obrigatório o estudo da história e cultura indígena e afro-brasileira na educação básica. “O projeto leva informação qualificada para os estudantes em torno do ser indígena. Além disso, também consolida a política do Governo do Estado de aproximar, ainda mais, a população em geral da realidade dos povos originários da Bahia”, ressalta o coordenador estadual de Educação Escolar Indígena, Niotxarú Pataxó. 

Professor de História do Colégio Estadual Edvaldo Brandão Correia, Adriano Bezerra defende que o projeto atualiza a visão da comunidade escolar sobre os povos originários. “O aluno percebe que os indígenas estão lutando pelos seus direitos, avançando e ocupando diversos espaços na sociedade. É uma atividade que mostra uma pluralidade que, na maioria das vezes, não está presente no material didático e possibilita que os alunos tenham acesso à visão do oprimido e não do opressor”.

Já a professora de Língua Inglesa, Juci Silva, conta que a unidade escolar tem um compromisso com a luta antirracista e com a valorização da diversidade. “Receber a visita hoje de diversos povos indígenas, com certeza, é uma oportunidade de construção de futuro, de novas possibilidades de vivenciar o Brasil real, de aprender para respeitar, preservar e construir uma sociedade menos desigual”, sintetiza.

A Semana Cultural Indígena nas Escolas integra as comemorações do Abril Indígena do Governo do Estado. Além do projeto, haverá Feira de Artesanato, competições esportivas, campanha publicitária, entre outras atividades.

Ascom Sepromi