Circuito Batatinha encerra último dia com desfiles de blocos afros e afoxés

23/02/2023
Último dia de carnaval e já se sente clima de saudade no ar. O Circuito Batatinha (Pelourinho), consagrado como o espaço da família, recebe também importantes blocos culturais, que são de origem popular, matriz africana e indígena. Além de Relíquias Africanas, passou pelo circuito, nesta terça-feira (21), Afrodescendente da Bahia, Ska Reggae, Obá de Xangô e Blocão da Liberdade.

Com o tema “Yá Ajibonã – Mãe Criadora”, que nas religiões de matriz representam cargos femininos associados aos cuidados com filhas e filhos de santo, como os cargos de ekedi e ebomi, o bloco Afrodescendente da Bahia desfilou pelo Centro Histórico de Salvador, no último dia de folia de Momo. “Levaremos muita ancestralidade para o circuito”, prometeu Edvaldo Santos, presidente do bloco, ainda na concentração.

O presidente ainda falou sobre a importância de programas como o Ouro Negro. “Este programa é essencial para que possamos desfilar nas ruas, é ele que permite que possamos confeccionar as fantasias, custear os músicos, sem esse apoio não iríamos conseguir. É um programa de salvaguarda da nossa ancestralidade africana”, observou. Afrodescendente da Bahia nasceu no bairro do Arenoso, em Salvador. Com 23 anos de resistência, o bloco também já participou de outras edições do Ouro Negro.

Outros Blocos – Quem também desfilou pelas ruas do Pelourinho homenageando a orixá Oxum foi o bloco afro Relíquias Africanas, que estampou nas camisas do bloco a frase “Caminhos abertos, prosperidade e amor” e teve a artista e transista, Negra Jhô como participante do abre-alas, esbanjando toda a sua beleza. Com muito dourado a agremiação embelezou as ruas do circuito, com várias representações do orixá feminino que é a deusa das águas doces.

No início da noite do último dia de Carnaval, desfilaram os blocos Obá Xangô e Blocão da Liberdade, o primeiro veio com o tema “Da peneira de Xangô à cachoeira de Oxum”, que traz homenagem aos orixás. Já o Blocão da Liberdade trouxe o orixá das folhas, Ossain como tema. “Vamos trazer muita folha, elemento principal do orixá que vamos homenagear, através de alas temáticas e a nossa banda de percussão”, conta Paulo Augusto, presidente do bloco.

Para Augusto se não fosse o recurso público via edital Carnaval Ouro Negro, os blocos populares e de origem negra e indígena não teriam vez. “Se não existisse o Ouro Negro, não estaríamos nas ruas. É um custo muito alto. A iniciativa privada não nos prioriza, nos vê apenas como público consumidor e não como produtores. Em anos a frente de blocos negros no Carnaval, apenas o poder público tem incentivado nossas iniciativas”, criticou.

Carnaval Ouro Negro 2023 - O Carnaval da Secult conta ainda com 63 grupos dos segmentos afro, afoxé, samba, reggae e de índio contemplados pelo Carnaval Ouro Negro 2023, que desfilarão nos outros circuitos da folia. Entre eles, estão grupos tradicionais como o Olodum, Ilê Aiyê, Filhos de Gandhy, Muzenza e Cortejo Afro.  A pasta fez um investimento histórico no Carnaval Ouro Negro 2023, destinando R$ 7,6 milhões ao edital, com o intuito de preservar a tradição destes blocos na folia soteropolitana.