Soy loco por ti, Carnaval. Desfile do Alvorada reúne samba, poesia e tradição

23/02/2023
Um dos mais tradicionais blocos de samba do Carnaval de Salvador, o Alvorada, trouxe para a Avenida nesta sexta-feira (17), a poesia de José Carlos Capinan, 81 anos, um dos principais nomes do movimento Tropicalista, responsáveis por grandes sucessos da Música Popular Brasileira.

A homenagem do Alvorada a Capinan no Carnaval 2023 dá continuidade à valorização feita pela entidade a artistas de referência da música e da cultura da Bahia. “Essa é a nossa forma de agradecer e reverenciar quem nos inspira”, explica Vadinho França, presidente do Alvorada.

Entre os nomes que já foram tema do desfile do bloco está o músico Roberto Mendes, amigo de Capinan. A dupla é responsável pela canção Yayá Massemba, que narra de forma poética a travessia atlântica.

Capinan também tem outras parcerias que resultaram em músicas consagradas como Papel Machê, com João Bosco; Moça Bonita, com Geraldo Azevedo; e Soy Loco por Ti, America, com Gilberto Gil.

“O samba nasceu no navio negreiro, como resposta àquela viagem forçada dos escravizados, da dor da travessia, da viagem para a estranheza. Nasceu da dor e também da alegria de estar podendo, com essa resposta musical, entender o seu destino e desejar algo de maravilhoso que no navio negreiro acima de tudo estava que era o desejo de liberdade”, explica o poeta Capinan, destacando a importância do samba para a cultura brasileira.

Capinan e Roberto Mendes se uniram à ala de canto Alvorada para animar o desfile do bloco que reuniu foliões apaixonados pelo samba, com seus característicos chapéus e lencinhos. Além de convidados de fora da Bahia como os cariocas Arlindinho e Marquinhos Sensação, a ala de canto do Alvorada reúne as vozes de sambistas baianos como Valdélio França, Bira (Negros de Fé), Tiago (Representa), Marco Poca Olho (Samba Tororó), Arnaldo Rafael (Samba de Cozinha), Romilson (Partido Popular) , Aloísio Menezes e o grupo Bambeia.

Samba é Tradição - O amor pelo samba atravessa gerações de foliões do Alvorada, que completa 48 carnavais em 2023. É o que prova o estofador Claudio Luiz Santana Freitas, 50 anos, que há mais de 20 anos acompanha o desfile do bloco.  “O Alvorada representa tradição, é o amor pelo Carnaval que eu recebi de meu pai, que sempre me contava sobre os desfiles do bloco, quando ainda saía da ladeira do Gravatá”, relembra emocionado o associado do bloco.

Além de matar a saudade após dois anos sem Carnaval, Cláudio Luiz comemorava a felicidade de poder compartilhar o amor pelo samba como o filho, Pablo, de 17 anos, em sua segunda experiência no Alvorada. “Meu pai me viciou em samba. E aqui no bloco eu ouço as músicas que ele colocava para ouvir desde pequeno. Por isso gostei e não deixarei mais de desfilar no Alvorada”, explica orgulhoso.

Sobre os dois anos sem Carnaval, Claudio Luiz lembra das vidas perdidas para a pandemia e diz que “não ter carnaval mostrou também como nosso povo precisa da festa para contribuir na renda e também para esquecer os problemas, a violência, o estresse. Pena que dura tão pouco”, lamenta o folião.