Mais de 120 crianças desfilam no bloco Afro de Capoeira

21/02/2024
O berimbau tocou no Terreiro de Jesus e uma grande roda de capoeira se formou  nesta segunda-feira (12) de carnaval, do Amô Pelo Pelô. As palmas acompanhavam o ritmo do instrumento e o grupo em um só coro cantava " a capoeira vem, meu mestre mandou chamar". O cortejo saiu da academia do mestre Bamba, em direção ao Terreiro de Jesus e seguiu até o Largo da Praça.

A Associação Cultural de Capoeira Mangangá com sede no bairro do Pau Miúdo, tem Tonho Matéria como idealizador do Bloco de Capoeira, não pôde comparecer, pois estava tocando em Recife.  A entidade nasceu em 2001 e possui outros núcleos na cidade de Salvador. Além da sede, bairros como Estrada Velha, Coutos, Nova Brasilia, Castelo Branco e Bom Juá também ensinam crianças a arte da capoeira.

Símbolo de resistência dos negros escravizados, em sua originalidade, a capoeira foi um instrumento de luta e resistência na luta contra a escravidão. Hoje é um instrumento de educação e cultura para a humanidade. Desde 2014, a capoeira é reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco)como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Raimunda Célia de Jesus, aposentada, admirava seu neto e bisneto jogando na roda de capoeira, abriu um largo sorriso e disse, “meu filho entrou com 4 anos na capoeira, pela disciplina que a capoeira nos ensina, hoje ele tem 26 anos e é engenheiro civil. ele foi formado na escola da capoeira e a disciplina o ajudou a conquistar seu espaço”. Ressalta que tem o maior prazer em acompanhar os netos nas aulas de capoeira.

As mães, pais, tios, avós e a multidão que formavam a roda admiravam os pequenos a jogar capoeira. “A capoeira ensina nossa cultura, disciplina e retira os meninos da rua. É um além de um esporte é uma filosofia de vida”, salientou o mestre do Mangangá. Para Claudia Donato, contra-mestre da associação, "oportunizar esse momento é singular, hoje é dia das crianças no carnaval”, destacou.

Carnaval Ouro Negro 2024 - O Carnaval da Bahia é Ouro Negro. Em 2024, foram investidos R$15 milhões para proporcionar o apoio a mais de 170 grupos dos segmentos afro, afoxé, samba, reggae e de índio. Só no carnaval de Salvador são mais de 100 entidades que desfilam nos circuitos oficiais da folia. Entre as entidades contempladas estão grupos tradicionais como o Olodum, Ilê Aiyê, Filhos de Gandhy, Muzenza e Cortejo Afro.  A Sepromi e a SecultBA amplia sua parceria com blocos tão importantes com o intuito de preservar a tradição destes na folia soteropolitana e nas suas comunidades de origem, valorizando as nossas matrizes africanas.