Bloco Pipoca das Pretas marca o carnaval 2025 reafirmando a importância da luta antirracista

04/03/2025

No dia 03 de março a pipoca conquistou o público da folia, que dançou no ritmo de um carnaval sem violência, pelo segundo ano consecutivo

 

Trio Pipoca das Pretas 2025
Foto por Erlon Souza

Trio Independente Pipoca das Pretas encheu as ruas do Circuito Osmar de protagonismo feminino, ao homenagear mulheres negras e indígenas que marcaram os 40 anos da Axé Music, no penúltimo dia do carnaval de Salvador (03). Comandado por Ludmillah Anjos, junto a Savannah Lima e a banda Yayá Muxima, a ação levou a mensagem da promoção da igualdade racial e superação de violências, em um ato de representatividade artística de grandes nomes da música e da cultura afro-brasileira.

“O projeto começou com a inquietação de ser uma mulher negra e não ser valorizada depois de tudo que eu já fiz em toda a minha carreira, realidade de todas as nossas mulheres. Fiz questão de me juntar com a minha galera, com a SEPROMI, que abraçou o projeto com muito cuidado ao reafirmar seu compromisso de marcar conosco a história desta celebração tão importante no calendário anual do mundo” afirmou a cantora e idealizadora do bloco Ludmillah Anjos. 

Promovida pelo Governo do Estado e coordenada pela SEPROMI, a homenagem que perpassou por mulheres simbólicas da música baiana e brasileira, mobilizou a reflexão sobre a atuação essencial destas artistas que, muitas vezes, ficam invisibilizadas. Ao som de convidadas como Larissa Luz e Mariene de Castro, o bloco referenciou 14 mulheres, dentre elas Alobened, Ana Mametto, Graça Onasilê, Laurinha Arantes, Mãe Hilda Jitolu, Margareth Menezes, Marinez de Jesus, Mariene de Castro, Patrícia Gomes, Simone Moreno, Tania Santana, Will Carvalho e Tiete Vip’s. 

A secretária da SEPROMI Ângela Guimarães, compreende que é essencial conquistar este espaço para dizer que as mulheres negras e indígenas também estão no centro da nossa economia criativa e de necessárias produções culturais e artísticas do nosso Estado. “Estamos aqui para dizer que celebramos a contribuição de todos esses nomes da música na marca identitária da cultura baiana e afro-baiana, sem esquecer a importância do combate ao racismo e qualquer outro tipo de discriminação e preconceito.

 

Trio Pipoca das Pretas 2025
Foto por Erlon Sousa

Ao enfrentar os muros do racismo, o trio sem cordas teve como fio condutor o respeito à diversidade de raça, gênero, orientação sexual, religiões, e levantou as diferentes pautas ao som das artistas que se unem por um objetivo: superar as desigualdades sociais, raciais e de gênero. Com vivências diversas, em um bloco sem cordas que fez a avenida tremer, o público foi convidado a brilhar e se divertir reconhecendo a ancestralidade dessas mulheres presentes no imaginário da cidade e na história dos ritmos que embalam a arte baiana. 

Para a cantora Ludmillah, será sempre  memorável a sensação de estar no Campo Grande fazendo uma pipoca ao lado de mulheres incríveis. “Como mulher preta, periférica, filha de mãe solo, sei da importância da valorização de mulheres artistas e brasileiras, especialmente baianas e negras, que não tem a mesma visibilidade musical nesta festa multifacetada, que recebe pessoas de todos os lugares do mundo e não as reconhece. Todas estas mulheres são  ancestrais e construtoras das riquezas da nossa cultura e do carnaval do Brasil”, destaca a artista. 

Realizada pela Rebú Produções, a ação foi promovida pelo Governo do Estado, coordenada pela Sepromi, com recursos da Superintendência de Fomento ao Turismo do Estado da Bahia (Sufotur), da Secretaria de Turismo do Estado da Bahia (Setur-BA) e da Bahiagás, com o apoio do Sindicato dos Bancários da Bahia e da UNEGRO.