Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé são homenageadas em III Encontro anual da CONIRB

25/03/2025

III Encontro anual da CONIRB
Foto por Erlon Sousa

O III Encontro do Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé, realizado na manhã de hoje (25), reuniu representantes de órgãos públicos, estudantes da rede estadual de ensino e líderes da pauta antirracista, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade Federal da Bahia - UFBA. A celebração destaca a importância da preservação e do respeito às práticas religiosas de origem africana e a conquista da luta organizada da população negra espalhadas por todo o Estado. 

 

Realizado pelo Conselho Inter-religioso da Bahia - CONIRB, com apoio da SEPROMI e outros parceiros como Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social do Estado - SEADES , Secretaria do Turismo do Estado - SETUR, Bloco Afro Bankoma, Koinonia, Renafro, Irmandade do Rosário dos Pretos e TV Kirimurê, o evento apresentado pelo Padre Lázaro Muniz foi aberto com pronunciamento do Magnífico Senhor Reitor da UFBA, Paulo Miguez. 

 

Ao unir a expertise na música à elucidação da importância do dia que busca a erradicação dos preconceitos históricos vividos pelo povo negro e de santo do país, todas as pessoas presentes também participaram de uma palestra interativa da cantora e doutoranda Juliana Ribeiro, que mostrou como o samba é um instrumento desta luta de décadas. O momento também foi marcado pela presença e falas do babalorixá e doutor em antropologia Vilson Caetano, a doutora Cláudia do Bloco Afro Bankoma, Tonho Matéria, mestre de capoeira e presidente do Bloco da Capoeira, Ailton Ferreira, assessor da SEADES, e do Delegado titular da Delegacia Especializada em Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa - DECRIN,  Ricardo Amorim. 

 

A Ialorixá Márcia de Ogum entende o encontro como uma oportunidade de mostrar que é possível casar a religião e os estudos. “Trouxemos os religiosos para dentro da Reitoria da UFBA, conectando o sagrado e a academia, a partir do protagonismo da nossa intelectualidade, pois também estudamos e construímos conhecimento, mesmo que nossos ancestrais tenham sido arrancados de África na condição de escravizados” destacou. 

 

Assim como a dança e a música, meio a homenagens aos Coletivos Negros da Bahia, todas as pessoas acessaram ensinamentos diversos trazidos similarmente através de outras tecnologias negras, como a Capoeira registrada pelo mestre Tonho Matéria. Pautada pela chef Solange Borges, a gastronomia afrobrasileira também foi tema para o aprofundamento da reconhecida contribuição trazida nos pratos que destacam a identidade e presença das religiões de matrizes africanas no cotidiano e na memória do Estado da Bahia. 

 

“É fundamental que celebremos a conquista das ações afirmativas para o povo negro nesta Universidade, passo importante para que todos esses outros saberes que existem no interior dos nosso terreiros, a economia criativa e popular, agricultura familiar, criação de animais e tantas outras formas que gestaram e são responsáveis pela nossa manutenção, resistência e sobrevivência também sejam reconhecidos como saberes ancestrais” elucidou a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais, Ângela Guimarães. 

 

Para o professor de história da Escola Estadual do Stiep Carlos Marighella, Luís Roque Calheiros, o momento é um encontro dos estudantes da escola com a cultura e a ancestralidade que também os pertence. “Trazemos nossos alunos para motivá-los ao resgate da nossa identidade racial, que jamais deve ser perdida, bem como quanto a relevância de nos mantermos conscientes do nosso papel para a erradicação do racismo”, pontuou. 

 

Yuki Brito, estudante do 1º ano do Colégio que leva o nome de um símbolo da luta pelas liberdades no país, acredita que a presença da sua turma mobilizou os jovens a se conscientizarem quanto à questão racial. “Muito da nossa cultura foi invisibilizada e diminuída, então devemos estudar cada vez mais sobre ela para entendermos mais de nós mesmos”, reafirma o aluno. 

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