Bahia realiza a 1ª Conferência Temática dos Povos Ciganos: um marco de reconhecimento e reparação histórica

22/05/2025
Foto | Divulgação ASCOM SEPROMI
Foto | Divulgação ASCOM SEPROMI

 

Ontem(21), um evento inédito foi realizado para construir políticas públicas para as  comunidades ciganas presentes nas diversas regiões do Estado da Bahia: a primeira Conferência Temática dos Povos Ciganos da Bahia. Passo fundamental para enfrentamento de violências e estigmas que marcam a trajetória dessas populações no Brasil, a atividade virtual ocorreu através da plataforma Zoom e integra as etapas preparatórias para a IV Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial  - CONEPIR.

A iniciativa, promovida pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (SEPROMI), em parceria com o Conselho Estadual para a Sustentabilidade dos Povos e Comunidades Tradicionais (CESPCT), foi construída com diálogo direto com as comunidades ciganas e reuniu pelo menos 70 pessoas, entre sociedade civil, representantes de órgãos públicos, pesquisadores, gestores e técnicos envolvidos na promoção da igualdade racial e dos direitos dos povos e comunidades tradicionais.

Na mesa de abertura institucional, que foi seguida por exposições temáticas, leitura de regulamento, encaminhamento de propostas e debates importantes para a população cigana, esteve presente a Secretária da SEPROMI, Ângela Guimarães, que compreende a conferência como um marco não só por ser inédita, mas por representar um passo grande no enfrentamento ao racismo.

“A Conferência reafirma que a reparação histórica começa em um chamado de corresponsabilidade de construir coletivamente um plano estadual sólido, com instrumentos estáveis e eficazes, que garantam uma política pública sustentável e duradoura para os povos ciganos e para todos os segmentos das comunidades tradicionais”, destacou a Secretária.  

O momento democrático e representativo foi um momento de escuta e protagonismo dos povos ciganos e, sobretudo, de formulação de propostas de políticas que atendam às necessidades e aos modos de vida destas comunidades. Todas as propostas, fruto do evento, serão sistematicamente organizadas e encaminhadas para a etapa estadual da IV Conferência de Promoção da Igualdade Racial (CONEPIR), realizada entre os dias 20 e 22 de agosto, em Salvador.

Dentre as contribuições apresentadas pelas comunidades ciganas, destacam-se ações que refletem demandas básicas de dignidade, moradia, reconhecimento, proteção cultural e social — incluindo a criação de programas específicos, campanhas educativas, leis de incentivo e mecanismos de garantia de direitos que visam reparar desigualdades históricas e promover a inclusão efetiva dos povos ciganos nas políticas públicas da Bahia, ressaltando a história dos povos ciganos como parte fundamental da história e da identidade do país.

"É imprescindível que a história dos povos ciganos seja finalmente reconhecida para que compreendam a presença histórica dessa população na construção da nossa sociedade, para que todos(as) reconheçam os ciganos como cidadãos plenos, com direitos e deveres, como qualquer outro brasileiro. Essa é a chave para romper com os estigmas e construir uma sociedade para todos(as)", afirmou Lêda Oliveira - Integrante do Observatório da Mulher Cigana.