Nesta terça-feira (22), o município de Seabra foi palco de dois importantes encontros que integram a programação da IV Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Conepir). Foram realizadas as Conferência Territorial da Chapada Diamantina, Piemonte do Paraguaçu e Velho Chico e a Conferência Temática de Comunidades Tradicionais: Quilombolas, Pescadores e Marisqueiras. As atividades aconteceram simultaneamente, das 8h às 18h, no Colégio Estadual de Seabra.
As conferências reuniram representantes de diversos segmentos sociais da região para discutir propostas de enfrentamento ao racismo estrutural e a construção de políticas públicas de promoção da igualdade racial. A Conferência Temática, realizada de forma híbrida, foi dedicada especialmente a lideranças quilombolas, pescadores artesanais e marisqueiras, com o objetivo de fortalecer a luta por políticas públicas que respeitem os modos de vida tradicionais e assegurem direitos de forma plena e efetiva.
A programação contou com uma mesa magna composta por representantes da sociedade civil e do poder público, além da leitura da metodologia da conferência, apresentando as regras e orientações que regem os trabalhos dos Grupos Temáticos (GTs) e da plenária final. Logo após a mesa de abertura, foi realizada a Palestra Magna — um momento dedicado à reflexão aprofundada sobre o tema central da IV Conepir.
A palestra, que buscou dialogar com as experiências de resistência das populações negras, reafirmando o papel das conferências como instrumentos legítimos de participação e transformação social, foi ministrada pelo professor Lauro Roberto Ferreira Oliveira, quilombola do Quilombo da Vazante, mestre em Ensino de História pela Universidade Federal de Sergipe e coordenador regional do Fórum de Educação Escolar Quilombola, além de agente de governança regional da PNEERQ e membro da Coordenação Permanente do Encontro de Cultura e Fé, realizado há mais de 20 anos nas comunidades de Seabra.
No período da tarde, os conferencistas se dividiram em grupos temáticos para discutir questões relacionadas à democracia, justiça racial, reparação, políticas de promoção da igualdade racial e políticas específicas para povos e comunidades tradicionais, como quilombolas, pescadores e marisqueiras. A etapa final do evento foi marcada pela apresentação das propostas elaboradas pelos grupos temáticos, seguida da votação das prioridades definidas pelos participantes, bem como da eleição dos representantes que participarão da etapa estadual da conferência, garantindo a continuidade do processo participativo e o fortalecimento das pautas de igualdade racial na Bahia.
“A realização simultânea dessas etapas em Seabra, município inserido em uma região de intensa biodiversidade e rica em cultura, oportuniza a escuta das vozes e a valorização dos saberes ancestrais locais, consequentemente a representatividade dos territórios nas políticas públicas da próxima década. É de extrema relevância que estejamos aqui para unir pautas e territórios estratégicos para construir políticas públicas que garantam a proteção e o desenvolvimento dessas comunidades no Estado da Bahia”, afirmou a titular da Sepromi, Ângela Guimarães.