A mesa principal da IV Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial (IV Conepir), realizada nesta quinta-feira (21), reuniu dois dos mais importantes nomes da luta antirracista no Brasil: o antropólogo Kabengele Munanga e a doutora em Saúde Pública, pioneira nas pesquisas sobre saúde da população negra Maria Inês Barbosa. Com o tema do evento, “Igualdade e Democracia: Reparação e Justiça Racial”, o momento foi um marco na programação do evento, não apenas pela densidade das reflexões apresentadas, mas também pela presença de Maria Inês, cuja participação é um ato simbólico e político a episódios de silenciamento em espaços institucionais.
"É importante nos reunirmos aqui para fazermos coletivamente este balanço, tratar das adversidades e desafios que enfrentamos nestes doze anos sem conferência e que nos deparamos ainda. Estou aqui para mostrar que a luta está viva e que seguimos construindo caminhos . A luta continua e invade gerações", disse Kabengele Munanga.
A escuta qualificada dos intelectuais mobilizou reflexões do encontro e apontou caminhos concretos para o fortalecimento das políticas públicas de promoção da igualdade racial na Bahia. Entre as falas dos intelectuais esteve o reforço sobre a importância de ações reparatórias, estruturantes e sustentadas pelo acúmulo histórico do movimento negro e da produção acadêmica comprometida com a justiça social.
Para Maria Inês, quem comanda momentos como este é o povo e é possível fazer muito se todas as pessoas acreditarem que podem e devem decidir os rumos do país. “ Temos que nos conectar ao sentimento de que podemos fazer do Brasil um país que caiba todos,todas e todes. Minha intenção é contribuir e representar muitas pessoas. Não podemos abrir mão destes espaços. Esperamos que aqui possamos divergir e nos conectar para realinhar os caminhos que almejamos trilhar nos próximos períodos”, destacou.
"A presença desses importantes intelectuais na IV Conepir representa a força do pensamento negro comprometido com a transformação social. Suas contribuições reforçam que a luta por justiça racial exige memória, escuta e coragem coletiva para construir um Brasil verdadeiramente democrático", completou a Secretária da Sepromi, Ângela Guimarães.
Encerrando o segundo dia de programação, o Largo Quincas Berro d’Água, no Pelourinho, sediou uma grande celebração cultural com shows gratuitos das bandas Ilê Aiyê e Afrocidade. A atividade reuniu participantes da conferência e o público em geral em uma vibrante homenagem à democracia, à ancestralidade e à diversidade do povo baiano, no momento em que a cultura foi colocada como parte essencial na construção de uma sociedade mais justa e plural. No Largo também foi possível encontrar empreendedores da Rede Afrocolab, uma iniciativa também da Sepromi para fortalecer a geração de renda de afroempreendimentos baianos.
Na sexta-feira (22), a programação reserva com a continuidade dos grupos de trabalho para sistematização das propostas discutidas ao longo do evento, o que baseia a plenária final, momento em que serão aprovadas propostas e eleitas as delegadas e delegados que representarão a Bahia na V Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir), marcada para ocorrer de 15 a 19 de setembro, em Brasília.
A IV Conepir é coordenada pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais, com apoio do CDCN, do Conselho Estadual para a Sustentabilidade dos Povos e Comunidades Tradicionais (CESPCT) e do Conselho Estadual dos Povos Indígenas da Bahia (Copiba).