Juventude, Território e Futuro: Fortalecendo Caminhos de Luta e Resistência". Este é o tema que direciona jovens indígenas reunidos, até domingo (dia 5), em Salvador, no 2º Encontro de Jovens Lideranças Indígenas da Bahia. Evento estratégico, o encontro se consolida como uma plataforma de encontro desta população, facilitando o compartilhamento das suas experiências e a articulação coletiva pela defesa dos seus direitos e das suas culturas.
Espaço de encontro e reflexão, o momento busca fortalecer as lideranças e construir um futuro mais digno, em que as novas gerações indígenas possam viver e seguir suas lutas pela proteção territorial, preservação de suas culturas e pela valorização de seus saberes. “A vida da juventude indígena ainda é assolada por contextos estruturais de violências. Nós estamos aqui para que estejamos mais preparados para este presente. Estamos aqui para defender as nossas vidas no futuro. Hoje luto para um futuro melhor para meu filho, para que ele viva feliz em comunidade”, Rayhatã Pataxó, da Aldeia Pataxó de Coroa Vermelha.
Com foco no enfrentamento do racismo estrutural, as juventudes presentes discutem estratégias para o fortalecimento de suas vozes nas esferas políticas, tanto dentro de suas aldeias quanto fora delas, nas cidades e espaços institucionais. “Este momento constitui um espaço importante de combate às vidas jovens ceifadas, tanto pelos processos históricos, como pelo processo de urbanização, as disputas territoriais e as demais violências que sofremos. A expectativa é de mais organização coletiva para caminharmos juntos para um cenário qual a juventude será protagonista da construção de políticas integrais para os povos indígenas", trouxe João Payayá, da Aldeia Coroa Vermelha e Secretário Executivo do Conselho de Juventude Indígena da Bahia (Cojiba).
Com as juventudes indígenas protagonistas das discussões, o 2° Encontro é um marco na valorização das tradições e símbolos destes povos, elementos essenciais para a construção de uma identidade coletiva que resiste a um apagamento histórico e de gerações. ”Almejamos que o Encontro possa aglutinar as pautas dos nossos jovens e através das agendas aqui, possamos nos mobilizar e articular ainda mais as nossas juventudes, que é uma frente de luta presente e viva. Precisamos ficar vivos, para que todos(as) tenhamos um futuro, digno e mais justo”, afirmou Laís Eduarda, Indígena Tupinambá de Olivença e coordenadora do evento.
Realizado pelo Cojiba, a programação do 2° Encontro inclui rodas de diálogo, oficinas, momentos de troca de saberes e se configura como um importante momento de resistência e afirmação, onde os jovens indígenas se unem em torno de um futuro em que suas vozes, vidas e territórios sejam respeitados.
“Fizemos um balanço das políticas públicas específicas para os povos indígenas, para entendermos o que já implementamos, especialmente do que demandamos e o que é possível acessar nas políticas do Estado. Ter nossos jovens aqui nos traz uma grande responsabilidade, pois essa juventude continua viva, forte, pulsante, com a legitimidade dos mais velhos, das suas bases, para influenciar positivamente de acesso e construção de novas e necessárias políticas públicas”, destacou Patrícia Pataxó, Superintendente de Políticas para Povos Indígenas do Estado da Bahia.