Nesta segunda (20), a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (SEPROMI), recebeu a segunda edição do evento “O Câncer de Mama e a Vulnerabilidade Social”, promovido pelo Projeto Mulheres Vencedoras. A ação integra o calendário do Outubro Rosa e reforça a importância de discutir o câncer de mama não apenas como uma questão de saúde pública, mas como um desafio que exige um olhar sensível às desigualdades sociais e raciais.
A iniciativa, apoiada pela Sepromi e pelo Detran Bahia, busca discutir os impactos sociais enfrentados por mulheres diagnosticadas com câncer, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade, com foco na interseção entre saúde, raça e gênero. O evento contou com uma mesa de abertura composta pela embaixadora da iniciativa, a titular da Sepromi, Ângela Guimarães, a Superintendente de Promoção e Inclusão Socioprodutiva, Luciana Mota, a ex vice-prefeita de Salvador, Célia Sacramento, e as palestrantes Rita Maria Alves e Ubiraci Matildes, com mediação da liderança do projeto Sheila Valverde, além de palestras, oficinas de beleza e técnicas estéticas, pensadas especialmente para apoiar mulheres em tratamento oncológico.
Para a Secretária Ângela Guimarães, é fundamental haver o acesso à informação, ao conhecimento e, principalmente, às políticas públicas de saúde que garantam não apenas consultas e exames, mas também suporte psicológico, reparação e acolhimento integral. “Sem o direito à saúde, nenhum dos outros direitos se efetiva de forma plena. Essa é uma batalha que as mulheres, especialmente as mulheres negras, vêm travando há muito tempo. Nossa luta é para universalizar o acesso à saúde pública e assegurar o cuidado com as especificidades de cada mulher. Projetos como este são fundamentais porque nos lembram que não estamos sozinhas nessa caminhada.”, destacou a secretária.
“Eu que iniciei o tratamento, fiz cirurgia, quimioterapia, radioterapia, agora faço quimioterapia oral, entendo essa discussão aberta e ampla como fundamental para pensarmos em políticas públicas que ampliem as nossas necessidades potenciais de recursos para os cuidados com a vida. Pessoas morrem por conta de diagnósticos tardios, então essa conscientização para a prevenção e diagnóstico precoce é imprescindível. Não podemos vacilar”, disse Célia Sacramento.
A primeira palestra ficou por conta da Rita Maria Alves, bióloga, mestre em Medicina e Saúde Humana e especialista em Citogenética e Biologia Molecular, que trouxe uma abordagem técnica e educativa sobre o câncer e suas implicações biológicas. “É muito importante estar aqui. Dá uma dimensão da necessidade de nos empenharmos mais, crescermos mais nesse objetivo e divulgarmos mais as necessidades e as políticas públicas que demandam as mulheres diagnosticadas com câncer de mama”, salientou Rita Maria Alves.
Em sequência, o público pôde ouvir Ubiraci Matildes, Doutora Honoris Causa pela Universidade Internacional de Capelães do Brasil, administradora, sanitarista e reconhecida por sua atuação voltada à equidade racial, saúde da população negra e valorização das comunidades e povos tradicionais.