Com o encerramento do Carnaval 2026, a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (SEPROMI) celebra resultados que reafirmam o compromisso do Estado com a dignidade e a autoestima de quem faz a festa acontecer nos bastidores.
Neste cenário, a Casa da Igualdade Racial e os espaços "Cuidar de Quem Cuida", em Ondina e no Campo Grande, consolidaram-se como o coração da estratégia de acolhimento da pasta. As unidades ofereceram uma rede de proteção e valorização estética voltada, prioritariamente, às mulheres trabalhadoras da folia.
Ambulantes e cordeiras encontraram nesses locais um suporte humanizado para enfrentar a exaustiva jornada do circuito. Ao todo, foram realizados 780 atendimentos focados em serviços de autocuidado, incluindo tranças, maquiagem, turbantes e customização de abadás.
A secretária da Sepromi, Angela Guimarães, destacou a importância de humanizar o trabalho na avenida. "Nosso objetivo foi garantir que as mulheres que sustentam a engrenagem do Carnaval fossem vistas e cuidadas. A Casa da Igualdade Racial não é apenas um posto de serviço, é um território de acolhimento onde reafirmamos que a estética negra é potência e que o Estado está atento ao bem-estar dessas trabalhadoras", pontuou.
Para a vendedora ambulante Jéssica Nascimento, que utilizou os serviços, a iniciativa foi um diferencial determinante. Ela afirmou que ser acolhida com um serviço de beleza a fez sentir valorizada e com as energias renovadas para seguir na avenida, combatendo a invisibilidade histórica dessas profissionais.
Paralelamente às ações de cuidado, a SEPROMI atuou de forma incisiva na conscientização e no combate direto ao racismo. A eficácia da rede foi comprovada pela resposta rápida a um crime de racismo contra um cordeiro, resultando na detenção do agressor no circuito Campo Grande após articulação com a rede de segurança e justiça.
Através da ferramenta virtual Zuri, foram monitorados casos de racismo e intolerância religiosa, garantindo assistência jurídica e institucional. A secretaria também promoveu uma ampla mobilização educativa, com a distribuição de mais de 68 mil materiais informativos em Salvador e no interior, como em Aratuípe e Maragogipe.
O fortalecimento da identidade negra também se refletiu no apoio à cultura ancestral através do Programa Ouro Negro. Em articulação com a Secretaria de Cultura, o Governo do Estado destinou o investimento recorde de R$ 17 milhões para apoiar o desfile de 95 entidades, como o Ilê Aiyê e o Olodum.
Mesmo com o fim da festa, a SEPROMI reitera que o Centro de Referência Nelson Mandela permanece à disposição para receber denúncias e oferecer suporte especializado na Avenida Manoel Dias da Silva, n.º 2.177, na Pituba, mantendo o combate ao racismo ativo durante todo o ano.