03/11/2009
Os encontros e desencontros da relação entre burocracia e democracia foi o tema da última conferência em plenária do XIV Congresso Internacional do Centro Latino-americano de Administração para o Desenvolvimento (Clad), realizado na última sexta-feira (30), no Hotel Pestana, em Salvador. O professor e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, Fernando Luiz Abrúcio, fez uma análise histórica, sobre origem e trajetória, desta relação.
"O regime democrático precisa de um tipo de burocracia capaz de oferecer bons desempenhos ao governo. Há necessidade de cooperação nessa relação", pontuou Abrúcio. A burocracia é a constituição de um corpo técnico de funcionários, selecionados pelo mérito, para atender ao público. O desafio, afirmou o especialista, é como fazer o diálogo entre uma burocracia profissional, meritória, e os políticos eleitos.
"Os políticos são selecionados pelo povo; os técnicos, pelo mérito. A nova gestão pública insere novos atores nesse jogo e a necessidade de um controle mútuo", explicou. De acordo com Abrúcio, a gestão pública atual deve ser responsável por um novo arranjo burocrático para melhorar o desempenho dos governos e responder à expectativa da sociedade.
Entre os elementos para uma nova relação entre democracia e burocracia, o especialista citou três: contratualização de metas, uma administração pública voltada para o cidadão, e a criação de instrumentos administrativos que aumentem a proximidade entre sociedade e estado.
O Clad reuniu até esta sexta-feira, na capital da Bahia, ministros e secretários de Estado responsáveis pelas políticas públicas dos 22 países-membros - como Portugal, Espanha, Cuba, Chile, República Dominicana, Argentina e Uruguai.
Fonte: SAEB