Cerca de 80% das escolas do interior já voltaram às aulas

14/06/2007
A greve dos professores praticamente acabou no interior do estado. Das 1.409 escolas do interior, quase mil estão funcionando normalmente e em algumas a paralisação só continua porque o movimento grevista tem feito piquetes, impedindo o acesso de alunos e professores às salas de aula. Há 36 dias (completa amanhã - 14) os professores precipitadamente cruzaram os braços para reivindicar melhorias salariais e vem negando o convite do governo Jaques Wagner para retomar as atividades e dar continuidade às negociações na mesa setorial. Em Barreiras, funcionários da Diretoria Regional de Educação (Direc-25) asseguraram o retorno das atividades, hoje (13), em várias escolas. No Colégio Estadual Antônio Geraldo, por exemplo, seis professores garantiram que houvesse aulas para 170 alunos. Já no Colégio Estadual Duque de Caxias, também em Barreiras, das nove turmas do matutino, sete tiveram aula. "Os funcionários da Direc realizaram uma força tarefa para assegurar o direito do aluno e do professor que quer voltar as suas atividades", informou o diretor da Direc de Barreiras, Adalto Soares. Nas Direc de Bom Jesus da Lapa, Brumado, Ibotirama e Macaúbas - a greve não atinge mais nenhuma escola e as aulas estão ocorrendo normalmente. Já na Direc de Vitória da Conquista, das 64 escolas, somente em uma as atividades continuam paralisadas. A situação se repete nas Direc de Ribeira do Pombal - das 31 escolas, a greve só é mantida em uma. Em Salvador e Região Metropolitana (RMS), onde existem 347 escolas da rede, o movimento grevista também registra sinal de desgaste, com 15 escolas funcionando normalmente. O secretário estadual da Educação, Adeum Sauer, voltou a convocar os professores para o retorno às atividades, no intuito de não aumentar ainda mais o prejuízo que a paralisação tem causado aos alunos. "O reajuste já foi consumado e aprovado por lei. O governo mantém sua posição inicial e se coloca a disposição da categoria para retomar as negociações com a criação da mesa setorial", destacou o secretário, ressaltando que o retorno das aulas já está consolidado no interior. Sauer também lamentou o fato de alguns professores estarem realizando piquete nas portas das escolas, no intuito de barrar a volta às aulas. "Sem dúvida há uma tendência de retorno entre os professores. Não adianta quererem inventar novos fatos e plantar notícias porque os professores não precisam de nenhum mártir. O governo não tem essa prática de populismo nem de messianismo", pontuou. Mesa de Negociação O governo instalou a Mesa Central de Negociação permanente para analisar as possibilidades e acordo para concessão de reajuste a todo o funcionalismo público. Depois de um amplo debate, onde as contas do governo foram abertas aos representantes sindicais, no dia 16 de maio o governo fechou um acordo com 10 sindicatos de servidores estaduais. Apenas a APLB-Sindicato rompeu o diálogo e deflagrou uma greve que prejudica a educação, os alunos e todos os baianos. Este acordo assegurou a equiparação do salário base ao salário mínimo, a principal reivindicação do funcionalismo. Também ficou assegurado reajustes entre 4,5% e 17,28%, pagos nos meses de maio, julho e novembro. Cerca de 60% dos servidores que ganhavam abaixo do mínimo receberam o maior reajuste. A APLB Sindicato foi a única categoria a não aceitar o acordo. "A opção do governo foi beneficiar a maioria do funcionalismo que ganha menos e que tinha um salário base de até R$ 324 mensais. A Lei do reajuste, aprovada pela Assembléia Legislativa, assegurou que a menor remuneração paga pelo Estado a partir de novembro seja de, no mínimo, R$458,56. Essa é uma mudança real, mesmo diante de um orçamento definido pela gestão anterior, com cerca de R$ 1 bilhão em dívidas", explicou o secretário. Fonte: SAEB