18/04/2011
Com meta inicial de redução em 30% do consumo de água e energia do Estado, a Secretaria da Administração (Saeb) iniciou o treinamento dos Ecotimes, - equipes de servidores, que irão mapear e monitorar o consumo dos prédios públicos estaduais.
Nos 14 prédios estaduais que compõem o Centro Administrativo da Bahia (CAB), a despesa média com os serviços de água e energia elétrica soma cerca de R$ 12 milhões por ano. Com o apoio dos Ecotimes, espera-se uma economia de, aproximadamente, R$ 4 milhões.
Os parâmetros para o treinamento das equipes foram definidos a partir da primeira etapa de convênio firmado com a Universidade Federal da Bahia (Ufba). Em dois anos de diagnóstico do consumo nas unidades do CAB, somente o consumo de água caiu de 182 mil para 143 mil metros cúbicos. A iniciativa de mapeamento e monitoramento integra as ações do Programa de Qualificação do Gasto Público - Compromisso Bahia, que prega o combate ao desperdício na máquina pública e já consolidou mais de R$610 milhões de reais com ações de racionalidade administrativa.
A meta e o plano geral de atuação dos Ecotimes foram apresentados no último dia 13 pela coordenadora da equipe de água do programa, Letícia Moura. Foi a primeira aula do curso teórico voltado para os integrantes do programa de combate ao desperdício coordenado pela Saeb. Os 34 representantes de 13 unidades administrativas participam dos cursos teóricos na Fundação Luís Eduardo Magalhães. O treinamento prático acontecerá na Secretaria de Saúde (Sesab), onde os gestores aprenderão a identificar pontos de consumo e reduzir a vazão de água e, no dia 20, os integrantes dos Ecotimes aprenderão, na Saeb, como cadastrar as informações coletadas para controle do consumo de cada unidade.
Letícia Moura destacou a importância de cada gestor conhecer o prédio onde trabalha, segundo ela uma prerrogativa mais importante que qualquer equipamento de controle de consumo que possa ser adquirido. Para a coordenadora, monitorar diariamente o consumo e corrigir de imediato os problemas, sejam vazamentos ou desperdício, é o primeiro passo para a redução da conta de água. Para isso, além de uma medição eficiente, é preciso determinar o consumo necessário, identificar perdas no processo de abastecimento e, por fim, adotar a utilização de equipamentos mais eficientes no controle da vazão.
"Racionalização não é racionamento, nem implica em perda de qualidade. É fazer melhor. Não queremos saber quem gasta mais ou menos. A proposta é olhar para o cotidiano e enxergar outra forma de trabalhar", sintetizou Letícia, que considera a meta de redução em 30% como o mínimo possível de se atingir num cenário pessimista. A tendência, segundo ela, é chegar a 50% de economia, com a mobilização maciça dos servidores, repetindo índice já alcançado na Ufba, onde o projeto foi desenvolvido.
Pedro Lima, coordenador orçamentário da Secretaria de Planejamento (Seplan), responsável pelo orçamento da área de serviços gerais, participa do curso e acredita que o sucesso dos Ecotimes só será possível com mobilização. "É preciso pulverizar essas informações e fazer com que todos abracem a meta", diz Pedro, que defende o desmembramento das contas de água.
Luís Carlos Carvalho, coordenador de manutenção e serviços da Fundação Hemoba, cobra mais compromisso dos colegas. Para ele, é preciso uma mudança de mentalidade no serviço público. "Já vi muitas pessoas verem uma torneira aberta e dizerem 'deixa derramando que é do governo' mas é preciso se conscientizar que o governo somos nós, no fim é a gente que paga".
Fonte: SAEB