14/02/2007
O Planserv - Assistência à Saúde dos Servidores Públicos Estaduais - faz um alerta aos foliões para que evitem os excessos que costumam ser cometidos durante o Carnaval e que, geralmente, têm conseqüências graves. De acordo com os profissionais que atuam em unidades de pronto-atendimento e de emergência, o principal problema verificado durante a festa está relacionado ao consumo sem moderação do álcool, além do uso das chamadas drogas ilícitas.
Dados oficiais revelam que uma grande parcela das mortes decorrentes de acidentes no trânsito no Brasil está relacionada ao consumo excessivo de bebida alcoólica. Basta ingerir o conteúdo de quatro latinhas de cerveja, asseguram os especialistas, para que a percepção do perigo fique comprometida. Além disso, a perda do senso crítico provocada pela embriaguez também contribui para o sexo inseguro. A pessoa tende a não se preocupar com o uso da camisinha quando está sob o efeito do álcool, correndo mais riscos de contrair HIV/Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. "O descuido no uso do preservativo e a utilização de drogas injetáveis tendem a ser mais freqüentes no Carnaval e representam portas de entrada para o vírus da hepatite B, que pode se transformar em uma cirrose ou câncer de fígado", adverte o médico infectologista Rafael Simões.
Para prevenir as doenças sexualmente transmissíveis no Carnaval 2007, o Ministério da Saúde lançou, no domingo, a campanha Com camisinha, a alegria continua durante e depois da festa. Os foliões de Salvador podem contar com a distribuição gratuita de camisinhas, feita através da Secretaria Municipal de Saúde, em pontos localizados na Rua João das Botas, Morro do Gato, Liberdade, Ondina, Barroquinha, Rua Sabino Silva (Ondina) e no gramado do Farol da Barra.
Outro aspecto importante é o vestuário, que precisa ser adequado. Como o Carnaval acontece durante o verão, o folião deve ter cuidado com as fantasias e as roupas pesadas, provocam maior sensação de calor. "Roupas leves, claras e confortáveis são as mais indicadas", orienta o médico Antônio Peleiteiro Tourinho, clínico da Fundação Bahiana para o Desenvolvimento das Ciências (FBDC). Ele alerta aqueles que pretendem cair na folia, em especial os hipertensos e diabéticos, que antes de sair para a festa façam um lanche leve, com frutas, pães e sucos naturais, para evitar comer alimentos salgados, gordurosos e, muitas vezes, preparados no dia anterior, que representam uma ameaça ao bem-estar. "Uma alimentação adequada é sempre um fator de prevenção", completou.
Outras recomendações importantes são o consumo de bastante água (só mineral ou de coco), ingerir alimentos bem cozidos, apenas comer frutas e verduras bem lavadas, evitar produtos com molhos à base de maionese, sobretudo com aparência estranha, destampados ou mal conservados. O folião deve lembrar que é importante não beber refrigerante ou cerveja em lata antes lavar o recipiente e nem beber água comercializada em sacos plásticos. "A atenção deve ser redobrada caso a pessoa apresente diarréia. Se isso ocorrer, é preciso aumentar a ingestão de líquidos e usar reidratante oral ou soro caseiro. Persistindo o problema, o paciente deve procurar a unidade de saúde mais próxima", ressalta Tourinho.
Evite complicações na folia
O uso excessivo do álcool diminui a concentração e a atenção e pode provocar hipoglicemia (redução do açúcar no sangue) que, por sua vez, pode ocasionar mal-estar, tontura, dilatação dos vasos sanguíneos, com queda da pressão arterial e até desmaio e lesões no cérebro. Os especialistas alertam que nem sempre é necessário o consumo de grande quantidade de álcool para provocar tudo isso, principalmente se a pessoa não teve uma alimentação adequada. Nesse caso, a festa acaba bem antes para quem não se cuidou.
Os médicos destacam que o álcool diminui a atenção, levando o indivíduo a ficar mais relaxado, inclusive em relação a questões da prevenção, como o uso do preservativo nas relações sexuais, e os cuidados com os hábitos de higiene pessoal e de alimentação. Além disso, a pessoa alcoolizada pode ficar mais afoita, violenta ou descuidada, o que pode representar um perigo para ela e para os que estão próximos.
Fonte: SAEB