30/11/2006
A especialista em Enfermagem Oncológica pela Sociedade Brasileira de Enfermagem Oncológica, Ocarlinda Lopes Aguiar, fez palestra hoje (30) no evento Câncer: Conhecer para Prevenir, que o Planserv promoveu no Centro de Atenção à Saúde Professor Doutor José Maria de Magalhães Netto . Ela destacou que os avanços no tratamento do câncer de mama e colorretal esbarram num obstáculo que poderia ser contornado - o diagnóstico tardio. No Brasil, 80 a 90% dos casos desses tipos de câncer são identificados em estágio avançado, quando as chances de cura são pequenas.
Entre os fatores que dificultam a prevenção está o pavor que a doença provoca. Tanto assim que muitas pessoas evitam pronunciar a palavra câncer, substituindo-a por expressões como "aquela doença". São mais de cem tipos de câncer, mas a chance de cura,segundo a especialista, cresce quando é feito o diagnóstico precoce. No caso de cãncer colorretal, muitos pacientes, além de se submeter à cirurgia, ficam colostomizados permanentemente, porque o câncer é diagosticado em estágio avançado.
A prevenção se torna ainda mais importante porque os casos de câncer vêm aumentando. O câncer de mama já superou o de colo de útero. Somente este ano, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), serão identificados 48 mil novos casos de câncer de mama no Brasil. As regiões mais desenvolvidas (Sul e Sudeste) lideram as estatísticas, segundo Ocarlinda Lopes Aguiar, porque alguns dos fatores de risco estão mais presentes: primeira gravidez depois dos 35 anos, obesidade e alimentação rica em gordura.
Importância do auto-exame
Também são fatores de risco para câncer de mama, segundo a especialista, a menarca precoce (a primeira menstruação entre 10 e 11 anos) e a menopausa tardia (depois de 55 anos) e histórico familiar. Mesmo quem não está no grupo de risco deve fazer o auto-exame das mamas, procedimento simples que permite identificar a presença de nódulos. Um tumor com menos de um centímetro é considerado um câncer inicial e curável. Acima de dois centímetros, às vezes, já é necessária a retirada total da mama (mastectomia radical).
Além da ênfase do auto-exame, com mais informação, Ocarlinda também defende diagnóstico mais rápido, traduzido pelo acesso mais fácil da população pobre aos exames diagnósticos. Em alguns casos o intervalo entre a identificação do nódulo e o diagnóstico é de dois anos, o que dificulta o tratamento e reduz as chances de cura.
A mamografia, exame que deve ser feito anualmente após os 45 anos (e mais cedo para quem tem caso de câncer de mama na família), ainda não é acessível à população mais pobre, principalmente nas cidades menos desenvolvidas. Para esse grupo, o exame de mama durante a avaliação ginecológica é muito importante na identificação de nódulos e encaminhamento da paciente para cidades onde o recurso da mamografia esteja disponível.
Fatores de risco
A prevenção do câncer colorretal também foi destaque na palestra de Ocarlinda, que é coordenadora do Serviço de Enfermagem do Centro de Quimioterapia Antiblástica e Imunoterapia, de Belo Horizonte. Ela aponta como fatores de risco doenças crônicas do intestino, como a diverticulite, alimentação rica em gorduras, sedentarismo e histórico crônico de diarréia ou prisão de ventre. Dois exames importantes para diagnóstico são a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia.
O câncer colorretal atinge igualmente homens e mulheres, principalmente a partir dos 50 anos. "Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores são as chances de cura", explica a especialista. O tratamento exige cirurgia e, em alguns casos, precisa ser continuado com quimioterapia e radioterapia.
No Planserv o paciente com câncer tem prioridade no atendimento, além de não ter restrição quanto à periodicidade na realização de exames diagnósticos mais complexos, como a ressonância magnética, por exemplo. Isso faz parte do modelo de atenção ao paciente com câncer mais humanizado, mais eficiente e mais sustentável, construído com a participação conjunta de especialistas, prestadores e servidores e que integra a agenda técnica do Planserv - Assistência à Saúde dos Servidores Públicos Estaduais.
Esse novo caminho foi sinalizado com o Diagnóstico da Assistência em Oncologia, resultado do relatório do oncologista Sandro Martins, membro da Academia Americana de Medicina, da Sociedade Brasileira de Oncologia e da Sociedade Européia de Oncologia.O relatório descreve o perfil da clientela em tratamento oncológico ativo nos serviços de terapia antineoplásica credenciados pelo Planserv, no período de setembro de 2004 a maio de 2005, totalizando 833 pacientes. O estudo mostra que a idade média dos pacientes é de 64 anos, variando entre 12 e 105 anos. As mulheres são maioria (65%) e a maior parte da clientela mora em Salvador (68,1%).
O estudo mostra também que há uma maior proporção de mulheres em tratamento de doenças em estágios iniciais, reflexo dos casos de câncer de pele e mama, mais freqüentes em mulheres na Bahia, e geralmente diagnosticados mais precocemente. O percentual de mulheres em tratamento oncológico com doença na fase inicial é de 25,1%. Nos homens, esse percentual cai para 14,4%.
Entre as mulheres, lidera o câncer de mama com 71%. O segundo câncer mais freqüente no mundo para ambos os sexos é o coloretal (7%) no grupo de homens e 4% nas mulheres) e, na grande maioria dos casos, a doença é diagnosticada em estágio avançado.
Fonte: SAEB