"Mostramos que temos muito a contribuir para o mercado de trabalho", diz técnico em logística

25/11/2020
Entusiasmo e vontade de ajudar o próximo. Essas são algumas das motivações de Luis Adriano da Silva e Silva, de 24 anos. O jovem é técnico em logística, através do Programa Primeiro Emprego (PPE), e relata um pouco de sua rotina durante esse período de pandemia. Inicialmente, Luis atuava no Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) e, posteriormente, foi convocado para desenvolver um trabalho que mudaria suas perspectivas profissionais.

“Fui chamado para ajudar na busca ativa. Esse serviço atendia pessoas em situação de vulnerabilidade que testaram positivo para a Covid-19 e estavam com sintomas leves. Nossa missão era ligar para essas pessoas e tentar explicar para elas que o melhor seria fazer o isolamento no centro, caso elas topassem teriam todo o apoio no local; caso não, a gente dava o suporte para que as pessoas fizessem o isolamento em casa mesmo", explica. 

Mas a atuação do Luis e de outros colegas era estratégica. Além das ligações, eles desenvolviam um papel fundamental de ouvir, aconselhar e passar uma palavra de conforto para a pessoa do outro lado da linha. “Nós ligávamos procurando saber como as pessoas estavam. Muitas relatavam que tinham medo. A gente dava um norte, as pessoas se sentiam acolhidas, agradeciam. Para mim, trabalhar dessa forma foi muito importante”, enfatiza. 

Agente multiplicador do bem

Luis também trabalhou na parte de orientações para as pessoas que tiveram direito ao auxílio-acolhimento no valor de R$ 500 reais. Esse auxílio foi autorizado pelo Poder Executivo em abril deste ano, e objetivou destinar recursos em favor de pessoas infectadas com o novo coronavírus que aceitaram ser hospedadas nos centros de acolhimento. Segundo o jovem, a experiência profissional lhe transformou em um multiplicador de informações, já que ao chegar à sua comunidade costumava esclarecer dúvidas entre familiares, vizinhos e amigos. "Eu explicava às pessoas como funcionava o centro, dava orientações gerais”, relata. 

O técnico em logística agradece a oportunidade de aplicar os conhecimentos da educação profissional na prática, por meio do Programa Primeiro Emprego. “É um programa que ajuda bastante a gente, nos faz agregar conhecimento prático e teórico. Meus primos que terminaram o ensino médio antes de mim falaram que na época deles não existia isso. Inclusive, foi um deles que me incentivou a fazer o curso técnico. Essa é a chance de mostrarmos que temos muito a contribuir para o mercado de trabalho”, afirma. 

João Vitor Cerqueira tem 20 anos, é técnico em administração do Programa Primeiro Emprego e, assim como Luis, foi convocado para trabalhar na busca ativa e, posteriormente, para dar informações por telefone às pessoas que tiveram acesso ao auxílio-acolhimento.“Estava alocado no Departamento de Trânsito da Bahia e fui trabalhar na parte de busca ativa do programa da SJDHDS. Para mim, é uma honra poder estar colaborando para evitar que os números de novas infecções aumentem e, assim, poder ajudar a salvar vidas”, diz. 

O olhar humanizado do técnico do PPE e a ampliação de novos horizontes

O técnico em administração esclarece que as novas atribuições lhe trouxeram o despertar de habilidades ainda não conhecidas e o afloramento do seu lado humanizado. “Mesmo sendo um trabalho bem diferente do que já estava acostumado, entrar em contato com as pessoas que precisaram desse suporte, em um momento tão delicado como esse que estamos vivendo, me alegra bastante. Saber que estamos ajudando a salvar vidas é gratificante”, salienta.

Aqui é trabalho e cuidado também

Luis e João Vitor trabalham com o coração aberto, mas não deixam de se proteger, conforme as medidas preventivas, contra a propagação do coronavírus. Ambos os técnicos do PPE estão respeitando as orientações da Organização Mundial da Saúde: utilizando máscaras e respeitando o tempo de troca desses equipamentos; esterilizando as mãos com água, sabão e álcool em gel; aferindo a temperatura corporal em seus locais de trabalho antes do expediente; higienizando mesas, cadeiras, telefones e demais objetos de trabalho, tudo isso para manter a sua integridade física e prestar serviços de qualidade e segurança para quem precisa. 

Sobre os centros de acolhimento

De acordo com a SJDHDS (Secretaria de Justiça, Direitos Humanos E Desenvolvimento Social), o Centro de Acolhimento COVID-19, instalado pelo Governo do Estado em Salvador, funcionou por seis meses. Entre 1º de abril e 23 de setembro foram admitidas 409 pessoas com sintomas leves da doença. A unidade teve a operacionalização compartilhada entre as secretarias de Saúde (Sesab) e de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social.  

A estrutura foi montada para acolher simultaneamente até 300 pessoas com sintomas leves da doença e em situação de vulnerabilidade, sem condições efetivas de isolamento em domicílio. O projeto teve como sede a antiga EBDA (Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola), situada na Avenida Dorival Caymmi, 15649, bairro de Itapuã. 

A identificação dos pacientes foi realizada através da busca ativa: 156 pessoas que testaram positivo para a doença e que realizaram o exame RT-PCR pelo LACEN. As outras 253 pessoas realizaram testes sorológicos em UPAs ou unidades de campanhas realizadas pela Secretaria Municipal de Salvador.

Com o aumento dos casos no interior da Bahia, o Governo do Estado instalou mais dois centros de acolhimento, em Ipiaú e Ilhéus. No município de Ilhéus e Ipiaú foram acolhidos outros 147 pacientes de diversos municípios da Bahia. 
Fonte
Ascom/Saeb