Coletivos Bahia pela Paz ampliam alcance de ações de saúde mental em Feira de Santana e Salvador

Programação do Setembro Amarelo envolveu escolas, serviços públicos e atividades culturais, fortalecendo a escuta e o apoio a jovens e famílias em territórios vulneráveis
01/10/2025
Pessoas sentadas em roda, posição de meditação.

Entre os dias 12 e 30 de setembro, os Coletivos Bahia pela Paz de Salvador e Feira de Santana mobilizaram escolas, instituições comunitárias e serviços públicos, em torno da campanha Setembro Amarelo. Com ações que alcançaram 575 beneficiários, as iniciativas priorizaram a escuta, o acolhimento e o acesso a direitos básicos de jovens, famílias, educadores e profissionais da segurança pública. A programação destacou a urgência de cuidar da saúde mental em territórios marcados pela vulnerabilidade.

Feira de Santana - As ações ocorreram nos bairros da Conceição e da Mangabeira, onde estão localizados os Coletivos Bahia pela Paz.  Na Conceição, a programação trouxe o tema “Cuidado Integrado em Saúde Mental” e percorreu diferentes espaços de encontro, da sede do coletivo às escolas municipais e estaduais. Psicólogos e assistentes sociais conduziram rodas de conversa, oficinas e palestras, envolvendo cerca de 200 pessoas em debates sobre autocuidado, mediação de conflitos e Cultura de Paz. Destaque para as atividades realizadas nas escolas Lídice Antunes e Imaculada Conceição, que aproximaram a pauta da saúde mental do cotidiano escolar, envolvendo estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Agentes da Polícia Militar participaram de uma palestra sobre prevenção do suicídio, sinalizando o alcance transversal da campanha.

Já na Mangabeira, a primeira edição do projeto “Conexão Mangabeira” reuniu cerca de 40 atendimentos diretos e consolidou uma frente de integração entre serviços públicos e comunitários. A iniciativa ofereceu desde a emissão de documentos básicos, como Carteira de Trabalho Digital e ID Jovem, até a adesão ao Programa Dignidade Menstrual, além de orientações jurídicas e encaminhamentos com o CRAS e o CAPS II. O evento também abriu espaço para oficinas de saúde mental, atividades culturais e uma exposição de arte de jovens da comunidade. O debate sobre “Saúde Mental da População Negra” deu o tom político e social da atividade, reconhecendo as desigualdades que marcam a juventude periférica.

Entre os atendimentos realizados no Conexão Mangabeira, a estudante Milena Souza, de 14 anos, destacou a ação como uma oportunidade para jovens que buscam inserção no mercado de trabalho. Moradora da localidade Agrovila, ela contou que já havia participado de atividades do Coletivo Mangabeira e decidiu procurar orientação no estande do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE). “Eu quero trabalhar, né? É importante ganhar dinheiro, então por isso vim me informar. Para mim a experiência foi positiva, gostei, atendeu o que eu precisava”, afirmou a jovem, que passou pela equipe técnica do coletivo.

De acordo com Frank Ribeiro, coordenador geral dos Coletivos Bahia pela Paz de Feira de Santana e interior do estado, o balanço das ações dos dois coletivos revela um impacto que vai além da mobilização pontual do setembro Amarelo. “Ao apostar na combinação entre escuta qualificada, oferta de direitos e valorização da cultura, os Coletivos Bahia pela Paz reafirmam o papel de agentes de transformação social em Feira de Santana. A expectativa é de que as iniciativas se consolidem como espaços permanentes de cuidado, reduzindo o isolamento de jovens e ampliando caminhos de prevenção à violência e ao suicídio”, frisou.

Na última sexta-feira (26), durante a programação do Coletivo Bahia pela Paz Conceição, a soldado Bethânia Boaventura, da 66ª CIPM (Companhia Independente de Polícia Militar), participou da palestra sobre saúde mental voltada para profissionais de segurança pública. Ela destacou a atividade para o autoconhecimento e a melhoria das relações no ambiente de trabalho. “É muito relevante tratar da saúde mental. Aqui conseguimos refletir sobre os fatores de risco e, a partir desse autoconhecimento, interferir positivamente nas nossas relações intra e interpessoais”, disse a policial, que completou 11 anos de atuação na corporação justamente na data do evento.

Salvador – Em Salvador, as ações do Setembro Amarelo ocorreram nas escolas estaduais de Paripe e da Liberdade. Na Liberdade, a programação percorreu os colégios estaduais Tereza Conceição Menezes, Ruben Dário e Duque de Caxias, nos turnos da manhã e da tarde. Tendo como ferramentas de intervenção atividades lúdicas, que estimulam o diálogo, a equipe técnica do Coletivo Liberdade reuniu alunos em grupos para refletir sobre seus sentimentos, emoções e desafios de convivência no espaço escolar. No total, 160 jovens foram atendidos pela iniciativa.

Em Paripe, a arte tomou conta da programação do Colégio Estadual Barros Barreto. Peça teatro, rodas de conversa em formato de freestyle e graffiti deram o tom das conversas e reflexões sobre a valorização da vida, o autocuidado e a forma como as violências afetam a vida dos estudantes. Participaram da atividade 175 pessoas, entre estudantes, professores e demais profissionais da educação.

 

 

 

 

 

 

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