Ancestralidade africana marca a VI Caminhada da Rainha Nzinga

03/04/2016
A tradição da pintura facial, que carrega diversos simbolismos das tribos africanas, marcou a VI Caminhada da Rainha Nzinga, evento realizado pelo Centro Social Urbano (CSU) do Nordeste de Amaralina, na manhã desse sábado (2). Com o tema "Eco Mulher - a mulher preservando o ecossistema", a edição deste ano reuniu cerca de 700 pessoas, membros de projetos sociais e culturais, que formaram diversas alas temáticas, além de personalidades e moradores do Nordeste. 

Presente na caminhada pelo segundo ano consecutivo, a maquiadora Laís Abreu, do coletivo artístico Lua Cheia, trouxe para as mulheres a beleza da pintura de rosto inspirada nos rituais e atividades culturais de tribos africanas. “Fazemos a pintura facial a partir de uma pesquisa que nos mostra os diferentes significados dessa arte para cada tribo, a exemplo dos ritos de passagem, exaltação da beleza, rituais religiosos ou de guerra”, esclarece Laís. 

Representando a Rainha Nzinga pela primeira vez, a aluna do curso de dança do CSU Nordeste Bruna de Aleluia exibiu a pintura e disse que se sentiu honrada “em poder mostrar para a comunidade o resultado de um trabalho que é feito com muita dedicação”. A coordenadora do CSU Nordeste, Andréia Macedo, conta que a pintura facial e corporal era uma atividade muito presente na vida da Rainha Nzinga e, por muitas vezes, ela a utilizou como estratégia de luta e resistência frente aos colonizadores portugueses. “Hoje, nos pintamos em reverência a essa guerreira que está presente em cada mulher do Nordeste de Amaralina”, explicou Andreia. “Pintura é identidade social. Nem sempre é utilizada por questões estéticas. Assim como nas tribos africanas, nossas mulheres quando se pintam e vestem para o desfile, elas reforçam a identidade e repassam para a sociedade o sentimento que lhe confere naquele momento”. 

Plus size – A luta contra a gordofobia, sentimento de repulsa contra as pessoas gordas, também teve destaque durante o evento. A representante do movimento “Vai Ter Gorda”, Adriana Santos, falou sobre as principais reivindicações que o coletivo vem pleiteando junto aos poder público no estado. “Entendemos que esse espaço também um espaço para reivindicações, por isso estamos aqui para pedir mais políticas públicas que contemple a mulher gorda, mais acessibilidade nos transportes públicos, nas repartições públicas e privadas e por mais inclusão dos gordos no mercado de trabalho, na cultura, lazer e educação”. 

Fanfarra e percussão – A musicalidade da Fanfarra Escola Municipal Teodoro Sampaio e das bandas percussivas Nova República e DM de Boa animou os participantes durante todo o percurso da caminhada, que contou também com o som dos berimbaus dos grupos de capoeira Mangangá e Mestre Luzimar. A iniciativa coordenada pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (Justiça Social), seguiu pela Avenida Manoel Dias e foi bastante aplaudida pelas pessoas que assistiam das sacadas e janelas dos edifícios. O encerramento no Largo das Baianas, em Amaralina foi marcado pela integração de todos participantes.