Técnicos das Casas Abrigo Regionais discutem importância do trabalho em rede

28/11/2018
Gestores e técnicos que atuarão nas três unidades da Casa Abrigo Regional, localizadas em Feira de Santana, Juazeiro e Itabuna, e na Central de Acolhimento Estadual participaram, na tarde desta terça-feira (27), no Hotel Golden Park, em Salvador, da mesa redonda “Trabalho em Rede/Intersetorialidade”, composta por representantes da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), Delegacias de Atendimento à Mulher (Deam) e do Ministério Público do Estado (MPBA). Este é segundo dia de capacitação, que seguirá até a próxima sexta-feira (30).

“Nosso foco em trazer a Rede de Enfrentamento à Violência contra a Mulher é fazer com que as equipes das Casas Abrigo Regionais conheçam o papel e o trabalho de cada membro da Rede para, assim, facilitar o diálogo com as instituições durante o fluxo de atendimento da mulher em situação de risco iminente de morte”, explicou a coordenadora estadual de Proteção Social Especial, Márcia Santos.

Abrindo à fala da mesa, a delegada da Deam/Brotas, Heleneci de Jesus, explicou sobre o trabalho, projetos e fluxo de atendimento realizado pela unidade - desde o pré-atendimento ao encaminhamento às centrais de acolhimento -, que completou 32 anos este mês com 5.229 ocorrências registradas, 3.521 atendimentos psicossociais e 704 medidas protetivas expedidas este ano até outubro. “Temos que lembrar que o caminho da mulher até a Deam não é feito em poucos dias: ele pode durar anos. Além de profissionalismo, precisamos de sensibilidade para trabalhar com a causa”, sinalizou a delegada, ressaltando também a importância do processo de desconstrução policial para lidar com as vítimas.

Em seguida, Simone Moitinho, delegada da Deam Periperi, relatou sua experiência à frente da unidade e do trabalho feito na região, principalmente na aproximação com as mulheres da comunidade para que elas se sintam confiantes em denunciar casos de agressão. “Ou você perde para sempre aquela vítima em potencial do feminicídio ou você salva uma vida, pois se não pararem as ameaças e agressões leves, a consequência será fatal”, frisou a gestora, juntamente com a necessidade de lembrá-las sobre o direito da medida protetiva; haver celeridade no processo e o trabalho em rede. A Deam de Periperi registrou, este ano, 171 autos de prisão em flagrante, 549 medidas protetivas deferidas e 1068 inquéritos encaminhados à Justiça.

Já a técnica do Grupo de Atuação Especial em Defesa da Mulher (Gedem) do MPBA, Marli Matheus Santos, falou sobre feminicídio negro e em como diminuir as tensões nos espaços de convivência e atendimento das mulheres em situação de violência doméstica e risco iminente de morte, além da privacidade para tratar de questões relacionadas aos Direitos Humanos, listando técnicas como escuta afetiva e efetiva; respeito à vontade e tempo da vítima em denunciar; consequências da revitimização; entre outros. “Mesmo tentando transformar a vida delas, temos que ter consciência de que elas são protagonistas dessa história, inclusive de todo processo de enfrentamento. Diminuir a violência doméstica é também diminuir o feminicídio”, concluiu.

Todo o debate foi intermediado por Sandla Barros, técnica de referência da Casa Abrigo Estadual. Num segundo momento, o tema “Trabalho em Rede/Intersetorialidade” continuou com as falas do Tribunal de Justiça (TJ-BA), Defensoria Pública e Secretaria de Saúde (Sesab) do Estado.