01/12/2016
A VI Edição Azeviche encerrou, na tarde de ontem (30), o Novembro Negro, reunindo secretários de Estado, representantes de religiões de matriz africana, de movimentos sociais e culturais para marcar posicionamento frente ao racismo institucional. Organizado pela Comissão de Enfrentamento ao Racismo, Sexismo e Intolerância Religiosa da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), o evento aconteceu na área externa do prédio da Governadoria, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), e contou com desfile de moda afro apresentado por servidores públicos negros e cortejo de blocos afro.
Participaram da mesa de abertura, os secretários Geraldo Reis (SJDHDS), Jerônimo Rodrigues (SDR) e Álvaro Gomes (Setre), o chefe de gabinete da Serin, Martiniano Costa, Ainton Ferreira, representando a secretária Fábya Reis (Sepromi), a superintendente de Direitos Humanos da SJDHDS, Anhamona de Brito, João Jorge, presidente do Olodum, Cedro Silva, presidente da CUT-Bahia, Jaciara Ribeiro, vice-presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), Ebomi Nice, representante do Terreiro da Casa Branca, e o presidente do Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia (Mupoiba), Kâhu Pataxó.
“Essa festa foi preparada com muito esforço, garra e vontade pela Comissão de Enfrentamento ao Racismo da SJDHDS, contando com diversas parcerias, a exemplo do Olodum, Ilê Aiyê, Okanbi, Muzenza, Filhos de Gandhy, Os Negões e outros amigos. Muito além de uma festa, esse é um ato cívico importante que cumpre o papel de agregar secretarias de Estado e representações da sociedade civil para marcar o Mês da Consciência Negra”, disse Reis. “É necessário e temos que fazer o combate ao racismo que ainda persiste nas estruturas institucionais, assim como nas diversas esferas da sociedade, mas é necessário que façamos esse combate sem ódio e considerando a dimensão humana. É necessário que tenhamos união, seja dentro do movimento negro, indígena e outros segmentos. E nosso papel nessa pasta tem sido o de buscar união dentro e fora da secretaria”, disse.
Desfile de moda, cortejo de blocos afros, feira cultural, exposição de fotografias e debate sobre racismo institucional fizeram parte da VI Edição Azeviche.
Representando a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), o assessor Ailton Ferreira citou a importância de haver “uma secretaria de Governo que realize o fechamento do Novembro Negro. Essa pauta nos foi oferecida pelo movimento negro e baiano para que a sociedade e o Estado, para além dos governos, reconheçam que existe sim uma pobreza resultante de ser de origem negra ou de se ter a África em sua formação. A sociedade brasileira não foi dividida pelas cotas ou pelas políticas afirmativas. A sociedade brasileira foi dividida em sua gênese e na educação, nos livros didáticos, nos filmes”.
Durante o evento, foi feita homenagem aos integrantes da Comissão de Combate ao Racismo da SJDHDS, instituída em 21 de janeiro deste ano, data em que se completaram 12 anos da morte da Mãe Hilda de Ogum, vítima de intolerância religiosa. Entre os membros da comissão que participaram da organização do evento, estão Conceição Ferreira, Carlos Kehindê, Isaura Genoveva e Mércia Lima, além dos servidores Gorette Depine, Rogério Condá, Paulina Martins, Márcia Santos e Larissa Simões, que colaboraram com o evento.
Ebomi Nice, da Casa Branca, e a Mãe Jaciara, entoaram cantos das tradições de suas religiões de matriz africana e ofereceram aos servidores e convidados sua benção.
VI Edição Azeviche
Um dos pontos marcantes do ato foi o desfile de moda afro apresentado por servidores negros da SJDHDS e de outros órgãos públicos, que vestiram peças das marcas Realeza, Madá Negrif, Nega Negona, além de roupas com estampas dos blocos afro Ilê Aiyê e Os Negões e da campanha Vidas Negras Importam, entre outras peças. Houve apresentação de dançarinas do bloco Bankoma, de Lauro de Freitas. E a festa foi encerrada com um breve cortejo dos blocos Ilê Aiyê, Olodum, Okambi, Muzenza, Filhos de Gandhy, Os Negões e o Samba Tororó.
Também participaram do evento, representantes da Marcha do Empoderamento Crespo e alunos do Colégio Estadual Bolívar Santana.