Denúncias permitem que rede de proteção atue contra violência às pessoas idosas

15/06/2018
Presentes na Estação da Lapa durante toda a sexta-feira (15), em ato pela passagem do Dia de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, pessoas da terceira idade defenderam mais respeito e menos violência. O ato contou com intensa programação articulada por uma dezena de órgãos e entidades, entre eles a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS). Uma das discussões quando o assunto é combate à violência contra os idosos está amparado na pouca quantidade de denúncias, uma vez que aqueles que cometem as violações estão dentro de casa.

A ampliação das ações de divulgação potencializam o acesso à informação sobre os diferentes tipos de violações que a pessoa idosa sofrem, que não se restringe à violência física. Abusos psicológicos, morais e até financeiros estão na lista que ainda fazem parte da rotina de pelo menos 30% de idosos, segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) - Seccional Bahia. Enquanto hoje eles representam 14% da população, as projeções indicam que em 40 anos o percentual de pessoas idosas no Brasil deve chegar a 30% da população.

"A  violência contra a pessoa idosa é um fato. Temos que mudar essa cultura que esconde e não reconhece essas práticas terríveis, mas isso é fruto de algo maior, que é a cultura de esconder a própria existência do idoso. O nosso esforço é para combater essa violência com mais amor, carinho e respeito, que são coisas que os idosos precisam", afirma o Padre José Carlos Silva, presidente do Conselho Estadual de Direitos da Pessoa Idosa. 

Para a Organização Mundial da Saúde, a violência é caracterizada pelo “uso intencional da força física ou do poder, real ou em ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade, que resulte ou tenha grande probabilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação”. 

Segundo a defensora pública Laise Leite, subcoordenadora da Especializada de Proteção aos Direitos da Pessoa Idosa da Defensoria Pública da Bahia, ações de ampliação dos direitos permitem que as pessoas idosas vítimas de violência possam se reconhecer e procurar os órgãos e instituições responsáveis por resguardar seus direitos. 

A coordenadora de Articulação de Proteção ao Idoso da SJDHDS, Célia Ramos, reforçou a necessidade de ações como a que ocorreu nesta sexta-feira (15) na Lapa, além de reafirmar o compromisso do Governo do Estado no combate e conscientização às diferentes formas de violências sofridas pelas pessoas idosas.
"Vamos continuar atuando para que todas as pessoas, idosas ou não, tomem conhecimento de que existe uma rede de atenção e proteção, e de toda violação deve ser denunciada. Nosso trabalho é conscientizar a todos, especialmente os jovens, sobre a importância da valorização e respeito com os idosos", afirmou.