Questões de Gênero é tema de capacitação das Comunidades Terapêuticas

05/06/2019

Nesta quarta-feira (05), a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS), através da Superintendência de Política sobre Drogas e Acolhimento a Grupos Vulneráveis (Suprad), promoveu o terceiro módulo da capacitação voltada para os profissionais que atuam em 12 Comunidades Terapêuticas do Sistema Bahia Viva.


O tema
“Gênero, Políticas sobre Drogas e modos de Cuidado para pessoas que têm problemas relacionados ao Uso de Substâncias Psicoativas (SPAs)”, foi abordado no encontro que aconteceu no auditório da Defensoria Pública da Bahia (DPE), no bairro Canela, em Salvador. O módulo conta com a integração das equipes técnicas do Sistema Bahia Viva e do Programa Corra para o Abraço.


"O que é ser homem e o que é ser mulher?". Com essa pergunta, os palestrantes iniciaram a dinâmica com os participantes, para tratar sobre a importância de discutir questões de gênero, no intuito de equilibrar conceitos e transformar percepções construídas socialmente, que abrem precedentes, para a violência de gênero, nas suas variadas formas, sobretudo contra as mulheres usuárias de drogas.


Para a redutora de danos Rafaela Rodrigues, que junto ao supervisor de campo, Frank Ribeiro, conduziram as aulas durante a manhã, o contexto social ainda reproduz concepções estereotipadas. "Os profissionais que atuam junto aos usuários de drogas necessitam de uma compreensão mais elaborada sobre as questões de gênero, a fim de possibilitar a superação do senso comum e do cuidado reducionista, reconhecendo essas especificidades para aprimorar os
serviços destinados à assistência dessas pessoas", explicou.


Ainda segundo a profissional, "fazer essa reflexão é importante, pois é preciso ter a compreensão das repercussões e conseqüências dessas desigualdades acerca da dependência de drogas, que muitas vezes ficam restritas. Os estudos muitas vezes abordam as análises comparativas sobre o padrão de consumo entre os usuários do sexo feminino e masculino, fator que limita o conhecimento sobre as violências sofridas pelas mulheres usuárias, por exemplo”, destacou Rafaella Rodrigues.


Segundo os
integrantes da Roda de Mulheres e Roda de Masculinidades do Programa Corra pro Abraço, um fator que evidencia essas violências é que a maioria das mulheres usuárias de drogas exercem trabalhos sexuais em troca de drogas ou dinheiro, sendo este percentual bem menor entre usuários do sexo masculino. De acordo com os grupos, as mulheres dependentes, em sua grande maioria, têm uma inserção social precária e enfrentam desigualdades de gênero que as expõem a riscos de saúde adicionais. Segundo os participantes, estas são situações permeadas por relações desiguais de gênero e poder, que apontam para a necessidade de intervenção numa abordagem de gênero contemplando usuários de drogas.

Participante da capacitação, Laina Machado, que atua no Instituto Bambu, no município de Santo Estevão, destaca que é necessário que esse tema seja abordado não somente entre os profissionais, mas que seja repassado, principalmente entre os assistidos. “É estranho vivermos em uma sociedade onde ainda ouvimos que uma mulher pode ser estuprada por conta de uma roupa curta, e isso precisa ser desmistificado. É necessário que tenhamos o entendimento de que isso acontece pela construção social que reforça muitos estereótipos, portanto precisamos lutar para nos igualar em direitos. Eu tenho trabalhado esses conteúdos junto aos assistidos na Comunidade em que atuo", afirmou.

Os sessenta participantes oriundos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPs), gestores e técnicos das instituições e equipe técnica da SUPRAD/SJDHDS, também participaram, durante o encontro, de oficina com o assistente social e educador jurídico, Ednilson Couto. A oficina tratou sobre a relação do impacto de gênero nas políticas sobre drogas, aumento do encarceramento das mulheres e retirada compulsória de bebês e filhos de usuárias, além do impacto da masculinidade tóxica e o agravamento do uso nocivo/abusivo de drogas, genocídio da juventude negra e encarceramento dos homens negros.