21/01/2020
A capital baiana conta com seis lavanderias públicas, equipamentos administrados pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS). Um dos objetivos da Coordenação de Administração dos Centros Sociais Urbanos é dar apoio às lavandeiras e buscar alternativas para valorizar o trabalho desenvolvido nesses espaços.
Durante encontros, realizados nas lavanderias em 2019, foram identificadas algumas necessidades, e, coletivamente, foi sugerida a criação de um Fundo rotativo solidário para a compra de materiais de limpeza de uso comum (desinfetantes, papel higiênico, vassouras, etc.) e realização de pequenas manutenções nas lavanderias, iniciativa que em 2020 já começou a demonstrar resultados e dar mais autonomia às trabalhadoras, segundo o coordenador Adriano Costa.
“A proposta do Fundo Rotativo Solidário é uma ideia que surgiu a partir de iniciativas já realizadas por cooperativas da agricultura familiar. O Fundo é um caminho para construir uma articulação coletiva entre as Lavadeiras Públicas acompanhadas pela SJDHDS. Esse Fundo vai dar mais autonomia a elas, melhorando as suas condições de trabalho, além de estimular o processo de organização das profissionais na defesa de seus direitos sociais”, destacou.
O Fundo Rotativo Solidário será administrado pelas próprias usuárias, através de um Grupo Gestor, formado por representantes de cada Lavanderia Pública. A formação da poupança coletiva será feita através das contribuições financeiras das lavadeiras. Parte dela será destinada para compra coletiva de materiais de consumo de todas as lavanderias, distribuindo por igual os bens comprados. Outra parte será destinada a uma Lavanderia específica a cada mês para atender as suas necessidades.
Para Maria José Belém, que há 35 anos trabalha como lavadeira no equipamento localizado no Dique do Tororó, o Fundo já trouxe melhorias na organização das lavanderias.
“Antes nós tínhamos dificuldades para resolver pequenas manutenções, consertos que surgiam e que acabavam atrapalhando o nosso trabalho. O Fundo vai nos ajudar a manter tudo mais organizado, comprando em grande quantidade, conseguimos baratear o preço dos produtos de uso comum. Isso também foi importante para nos unir. Espero que a partir disso, possam surgir outras melhorias para nós”, pontuou ela.
Ainda segundo a COAD, a previsão é de que, a partir de março, as trabalhadoras das seis lavanderias sejam acompanhadas através de atividades de fortalecimento de vínculos, relações interpessoais, elevação da auto-estima das trabalhadoras, acompanhamento psicológico, entre outras, que serão realizadas através de parceria Extensão do Curso de Psicologia da União Metropolitana de Educação e Cultura (UNIME) e outras instituições.