17/05/2021
Hoje (17), é o Dia Internacional contra a Homofobia, e como parte das mobilizações do Maio da Diversidade, o seminário “Orgulho de Ser: Juventude e o Enfrentamento à Violência LGBTfóbica”, promovido pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS), reuniu representantes de órgãos e organizações parceiras para debater os temas segurança, empregabilidade e educação. A atividade foi transmitida ao vivo pelo canal do Youtube da secretaria, na tarde desta segunda-feira.
Na mesa de abertura, o secretário da SJDHDS e presidente do Conselho Estadual LGBT, Carlos Martins, destacou a necessidade de fortalecer as políticas públicas para a juventude, sobretudo a comunidade LGBTQIA+, na garantia de respeito e o direito à vida.
“A pandemia escancarou as desigualdades sociais e mais do que isso, mostra as dificuldades de alguns setores da população para sobreviverem. Precisamos avançar nas políticas públicas, na garantia dos direitos da população LGBTQIA+ e da nossa juventude, e fortalecer os mecanismos de participação popular. A nossa juventude vive problemas muito fortes de violência e quem sofre mais é a juventude negra, dos bairros periféricos. Essa violência está caucada numa falência da guerra contra as drogas. A Bahia é o segundo estado em que mais morrem pessoas LGBT. Para combater isso, é importante a integração das secretarias no processo de construção de políticas públicas, e que esse seminário possa apontar caminhos” destacou Martins
A Secretaria de Educação do Estado (SEC), esteve representada no seminário por Jocivaldo dos Anjos, assessor de Políticas para Juventude na Educação, que reforçou a importância de fomentar o debate nas escolas para a promoção de inclusão.
“Diálogo mais do que necessário para toda rede de educação, pois é algo que nos toca diariamente, as formas que nós temos de incluir as pessoas. Dialogamos todos os dias com diversas pessoas que fazem parte desse pluralismo e nesses espaços que são muito importantes, pois é na escola que temos sido convidados a enfrentar debates como o da ideologia de gênero de forma mais contundente, é na escola que está colocado esse debate de forma perversa por algumas instâncias da sociedade. Por isso, a necessidade de evidenciar para formar uma sociedade que caiba todes”, enfatizou ele.
Já Ronald Castro, presidente do Conselho Estadual de Juventude, pontuou a importância do evento para o protagonismo da juventude e do público LGBTQIA+. “São lutas constantes que precisam seguir avançado e é fundamental a escuta desses públicos e dar o lugar de fala para que a participação da juventude seja transformadora e sejamos construtores de realidades, lutando pela ampliação e potencialização dos nossos direitos sociais para ressignificação das políticas públicas”.
Também presente no seminário, Danilo Bittencourt, vice-presidente do Conselho Estadual LGBT, reforçou a necessidade do combate a violência e apresentou dados do Grupo Gay da Bahia (GGB), que apontam que a cada 19h uma pessoa LGBT é morta em nosso país. “Dentro do contexto pandêmico faz muito sentido refletir nessa data sobre os desafios, e como nosso país continua sendo Lgbtfóbico. Precisamos cada vez mais de medidas práticas para conferir efetiva cidadania a população LGBTQIA+. Não podemos deixar de nos posicionar e nos calar diante de todo preconceito”, reforçou ele.
A atividade foi mediada por Kaio Macedo, coordenador de Políticas LGBT e por Fernanda Sampaio, coordenadora de Políticas Públicas para a Juventude.
Após a as falas de abertura, o seminário teve continuidade com a participação de gestores públicos e especialistas nas mesas temáticas sobre desafios e avanços da comunidade LGBTQIA+ no mercado de trabalho, segurança pública e os direitos LGBTQIA+ e representatividade LGBTQIA+ na educação.
17 de maio – Dia Internacional contra a Homofobia
A lembrança remete à data em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da classificação estatística internacional de doenças e problemas relacionados à saúde, em 1990. Esses últimos 31 anos foram de luta por conquistas e de garantias de direitos. Ainda hoje, pelo menos 69 países criminalizam atividades consensuais entre pessoas do mesmo sexo, conforme relatório publicado em dezembro do ano passado pela International Lesbian, Gay, Bisexual, Trans and Intersex Association (Ilga). Nessas nações, homossexuais podem ser presos ou até mesmo condenados à morte.