Com atividades formativas descentralizadas, ofertas de múltiplos serviços e presença de mais de dez órgãos públicos, Caravana deixa marca de cidadania em bairro de Salvador
Nos últimos dois dias (4 e 5/12), a população de São Marcos e adjacências, em Salvador, acessou uma multiplicidade de serviços e ações educativas na Caravana de Direitos Humanos. O projeto da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos reuniu mais de dez órgãos na Escola Municipal Clériston Andrade, garantindo acesso rápido e desburocratizado a um conjunto de políticas públicas. Uma programação diversa de ações formativas espalhou oficinas, debates e atividades lúdicas no bairro e seu entorno, fazendo de São Marcos um palco para a cultura dos Direitos Humanos.
A Caravana de São Marcos integra uma agenda de cuidado e fortalecimento do território, construída pelo Governo da Bahia em conjunto com a comunidade, que reivindica por políticas de reparação após a morte do jovem Caíque dos Santos Reis, em setembro deste ano. O ato de abertura, realizado na manhã do dia 4, contou com a presença da família de Caíque, de representantes de órgãos públicos, secretários de Estado, parlamentares e lideranças comunitárias. A memória de Caíque e a luta por justiça estiveram no centro do ato.
“Sem a comunidade de São Marcos, eu não seria nada. Só gratidão a vocês pelo apoio, porque quando uma mãe chora, todas choram”, relatou Jucélia Santos, mãe de Caíque e líder do movimento “Justiça por Caíque”. “Mas eu tô feliz de trazer essa Caravana pra dentro da comunidade, porque é uma oportunidade que eu não tive. Há um ano atrás, eu tive que pagar para fazer o registro de Caíque, e hoje eu tô dando oportunidade de outras mães fazerem seus documentos de maneira gratuita, porque eu sei que não é fácil tirar um valor para isso”, concluiu.
Além de um compromisso assumido pela SJDH no acompanhamento deste caso, a Caravana foi uma oportunidade das Secretarias de Estado e outros órgãos como o Ministério Público (MP-BA), o Tribunal de Justiça e o Tribunal Regional Eleitoral, estarem mais próximos da comunidade e dos familiares de Caíque.
“Em meio à dor, conseguimos trazer essa Caravana, que está sendo muito bem vista pela comunidade. Pessoas que tinham a maior dificuldade de acessar alguns serviços públicos, estão tendo a oportunidade aqui com a Caravana”, afirmou Esmeraldo Reis, líder comunitário e tio de Caíque. “Que o governo venha mais fazer ações sociais dentro da comunidade como essa. Nossos jovens precisam e nossa comunidade é muito carente”, reivindicou.
As mais de 1000 pessoas que passaram pela Caravana nestes dois dias puderam resolver, em um mesmo local, pendências em diferentes áreas da Política Pública. Emissão de título de eleitor, teste gratuito de DNA, encaminhamento para 2ª via gratuita de certidões, emissão da CIN (Carteira de Identidade Nacional/novo RG), atualização e cadastro no Bolsa-Família, Título de Eleitor, justificativa e alteração de local de votação, serviços de saúde como aferição de pressão e medição de glicemia, renegociação de dívidas e denúncias sobre abusos nas relações de consumo, entre outros. Um destaque dessa edição foi a ação do projeto Paternidade Responsável, do MP-BA, com a realização de quatro exames de DNA, uma busca acima da média pelo serviço.
“Essa Caravana é uma manifestação de solidariedade à comunidade e, especialmente à família de Caíque. É uma oportunidade de reafirmarmos nosso compromisso com a investigação desse caso e com a responsabilização de quem causou essa morte. Aqui, reafirmamos também o valor e a importância dos direitos humanos, por isso além de serviços, trazemos oficinas e debates sobre prevenção à violência, cultura e educação”, afirmou o secretário de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas.
As ações formativas foram um destaque da Caravana em São Marcos. Foram diferentes linguagens e estratégias visando o fomento às sensibilidades artísticas, combate aos preconceitos, prevenção às violências, qualificação profissional e incentivo à autonomia econômica. Na manhã desta sexta (5), a comunidade acessou uma formação que envolveu a apresentação do Crediafro pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e Povos e Comunidades Tradicionais (SEPROMI), oficina de currículo e inserção no mercado de trabalho, com a Secretaria de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (SETRE), e uma discussão sobre os direitos da pessoa idosa, com a Coordenação da pauta na Superintendência de Apoio e Defesa aos Direitos Humanos da SJDH.
Estudantes de duas escolas da rede municipal também participaram das atividades da Caravana. Sessões de contação de histórias para crianças, debates sobre prevenção à violência com a Secretaria de Segurança Pública, primeiro emprego com SineBahia, e combate ao racismo com a SEPROMI, que também marcou presença com o acervo da Biblioteca Carolina Maria de Jesus, do Centro de Referência Nelson Mandela.
A Caravana agregou ainda a exposição "Expo do Cuidado — Oxe, Me Respeite nas Escolas", realizada pela Secretaria de Educação, Secretaria de Políticas para as Mulheres e Fundo de População das Nações Unidas. Com objetivo de promover o diálogo com estudantes sobre temas como prevenção da gravidez na adolescência, conscientização sobre a violência de gênero e a construção de masculinidades positivas, a exposição fica em cartaz no Instituto Anísio Teixeira até março de 2026.
A Caravana de Direitos Humanos em São Marcos foi um espaço de possibilidades, um espaço de aproximação e horizontalidade, onde a população pôde compreender o funcionamento de órgãos e fluxos fundamentais para a garantia dos seus direitos.