No quinto dia do Carnaval 2026, a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, em parceria com a Pontos Diversos, intensificou mais uma vez as ações do Plantão Integrado de Direitos Humanos com foco no público LGBTQIAPN+. A iniciativa reforça a importância do acolhimento especializado em meio à maior festa popular do país, garantindo que a celebração também seja espaço de respeito, acolhimento, segurança e afirmação de identidade. Com equipes mobilizadas nos circuitos oficiais, o foco é a prevenção de casos de LGBTfobia, além de orientar foliões sobre seus direitos e os canais de denúncia disponíveis.
Apesar do caráter festivo, o Carnaval ainda é marcado por situações de violência contra pessoas LGBTQIAPN+, muitas vezes, de forma velada, gerando insegurança e limitando o direito de ir e vir. A empreendedora de doces, Bia Blanco, relata que o maior receio ao participar da festa é a homofobia. Embora diga não ter sofrido agressões diretas neste ano, admite que não se sente totalmente segura. “Eu venho tranquila, mas com um pouco de medo. Sozinha eu não venho, não. Sempre tem uns que soltam piadinha e vem a sensação de vulnerabilidade”, conta Bia.
Nos primeiros cinco dias do Carnaval 2026, foram registrados 6 casos de lgbtfobia - contra mulher trans (1), homens cis (2) e mulheres cis (3), todas contra pessoas negras. A presença de pontos fixos de acolhimento, como a sede instalada no PROCON, no Campo Grande, além das equipes identificadas nos circuitos, busca justamente reduzir essa vulnerabilidade. Para Taciane Campos, poeta e integrante da equipe de mobilização da secretaria, o acolhimento é também um gesto de afeto e reconhecimento: “Eu sou uma mulher LGBT, sou homossexual, e a gente sabe das violências que passa tanto no Carnaval quanto fora dele”, destaca.
Para a população LGBTQIAPN+, ocupar os circuitos com orgulho e sem medo é afirmar identidades que, durante muito tempo, foram silenciadas. Taciane reforça que ocupar os espaços públicos durante a festa é também um ato político, e a abordagem humanizada faz a diferença. “Quando a gente faz a abordagem e busca saber quem é essa pessoa e como ela se identifica, isso já movimenta um afeto. Garantir que as pessoas LGBT curtam o Carnaval com dignidade é um exercício da própria liberdade”, ressalta. Durante todos os dias do Carnaval, denúncias podem ser feitas junto às equipes identificadas nos circuitos, ou nos pontos fixos de atendimento, como o PROCON no Campo Grande.