07/06/2019
A penumbra, o corpo livre e a expressão corporal como ferramenta de afirmação identitária. Com esses elementos, o Projeto Cena Queer marcou presença mais uma vez no Casarão da Diversidade, espaço da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS). As oficinas, gratuitas, envolvem um conjunto de linguagens artísticas e utilizam o corpo como objeto da expressão estética e política. Nesta sexta-feira (07), foi realizada a segunda aula da oficina.
No encontro de hoje, os participantes puderam trabalhar a expressão corporal e encontros com o “eu interior”. Para Adê Argolo, mestrando em Artes Cênicas e responsável pela oficina, a importância do projeto vai além da discussão de gênero e sexualidade: passa pela educação. “Realizar essa oficina no Casarão é importante pois esse espaço é acolhedor para o publico LGBT e para pessoas que ainda não são atores formados e têm pouca ou nenhuma experiência com o teatro”, contou.
Segundo Argolo, os participantes da oficina podem experimentar a arte a partir de suas vivências pessoais. “O processo se desenrola a partir das histórias de vida de quem está participando e construímos uma encenação coletiva. Eles sabem que eu não vou chegar com o texto pronto. Tudo é feito de forma coletiva e ninguém é obrigado a falar nada que não queira”, disse, reiterando a importância da parceria com o Casarão da Diversidade.
Projeto terapêutico
Os artistas mesclam a linguagem da dança e teatro para compor um discurso único e pessoal. Enquanto os artistas se expressavam, o professor os incentivava a soltar o corpo, se afirmar, se aproximar dos outros e se comunicar. Para Ian Macedo, que foi levado por um amigo que já participava da oficina, o evento só deixou boas impressões. “Essa é a segunda vez que venho. Eu adorei a primeira aula, voltei e a expectativa para a oficina é a melhor possível”, afirmou o jovem.
A oficina desta sexta foi dividida em três atos: no primeiro os participantes são convidados a se movimentar energicamente, deixando que o corpo se exprima de maneira livre. No segundo eles são levados a participar de momento de relaxamento e reflexão sobre suas trajetórias pessoais. No terceiro eles são convidados a resgatar suas lembranças de infância, da família, dos amigos e de suas relações com a identidade sexual e de gênero. Essas lembranças da criança interior e suas emoções devem ser colocadas no papel. Essas cartas escritas para si mesmo, darão suporte à construção de um roteiro teatral, encenado pelos próprios participantes.
O Cena Queer ainda tem previsão de mais de 10 encontros, a serem realizados sempre às sextas-feiras, no Casarão da Diversidade, no Centro Histórico de Salvador.