19/12/2020
O segundo dia do “Políticas sobre Drogas na Bahia: dos desafios aos enfrentamentos e construções coletivas” foi marcado por debates e experiências relacionadas à questão da segurança pública e a relação com o enfrentamento às drogas no Brasil. O evento, promovido pelo Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas (Cepad-BA), órgão ligado à Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS), em parceria com a Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), aconteceu também no último sábado (12).
A condução dos debates deste sábado (19) foi de Bete Dantas, assistente social, e Renanta Pimentel, psicóloga, ambas do Cepad-BA. O debate foi iniciado com uma homenagem a Maria de Fátima Cavalcanti, falecida em março deste ano, considerada a primeira redutora de danos em Salvador e responsável pela formação de muitos profissionais da área. Os participantes exaltaram a história de vida e de luta de Maria de Fátima.
O debate foi iniciado com as participações dos policiais Paulo Sérgio Silva, tenente coronel da PM e diretor na Superintendência de Prevenção à Violência da SSP-BA, e Rair Valente, psicóloga e policial militar há 12 anos. Os profissionais falaram sobre a experiência do curso de redução de danos promovido pela Superintendência de Política sobre Drogas da SJDHDS junto a policiais militares e civis.
"Esse projeto foi fundamental para levar aos policiais militares e civis o quanto o ser humano é importante quando falamos dessa questão. Os policiais que participaram da formação saíram melhores do que entraram. Foi muito importante para mim e meus colegas", afirmou Rair Valente.
O debate também questionou a atual política sobre drogas no Brasil, que, segundo os participantes, deixa vítimas apenas nas camadas mais pobres da população. "Existe no Brasil uma guerra às drogas ou uma guerra às populações mais vulneráveis? Muitos casos entre os mais ricos passam despercebidos, não são presos, não são criminalizados", questionou o representante do Movimento Nacional de População de Rua, Vanilson Torres.
Os conselheiros do Cepad-BA também disponibilizaram para participação um formulário sobre "Propostas de Ampliação de Horizontes, Novas Perspectivas de Intervenção e Modernização do Cepad-BA". As sugestões podem ser enviadas pelo link: clique aqui.
O encontro deste sábado também contou com as participações da diretora da Superintendência de Política sobre Drogas da SJDHDS, Emanuelle Silva; do representante do Movimento dos Policiais Antifascistas, Orlando Zaccone; e do historiador e representante da Iniciativa Negra, Dudu Ribeiro.
Confira o debate na íntegra abaixo!
Sobre o Conselho
O Cepad-BA é um órgão de caráter consultivo e deliberativo, que tem por finalidade propor a Política Estadual sobre Drogas, bem como acompanhar e avaliar as ações governamentais voltadas à redução da demanda de drogas no âmbito do Estado da Bahia.
O papel do Conselho é estimular a criação e fortalecimento de políticas públicas que garantam os direitos às pessoas que usam drogas, com base na Legislação vigente, defesa e orientação acerca das ofertas de prevenção, cuidado, estudos, pesquisas e segurança, bem como contribuir com a formulação, deliberação, monitoramento e avaliação das políticas sobre drogas na Bahia.