Capacitação da SJDHDS discute saúde e políticas públicas para idosos na Bahia

15/07/2020
A Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS) deu início, nesta quarta-feira (15), às capacitações virtuais para técnicos, voluntários e parceiros institucionais que atuam com idosos nos Centros Sociais Urbanos (CSUs), coordenados pela secretaria.

O encontro, que terá periodicidade quinzenal, foi realizado através do aplicativo Google Meet e reuniu mais de 60 participantes de Salvador, Juazeiro, Lauro de Freitas, Alagoinhas, Feira de Santana, Santo Amaro, Ipiaú, entre outros municípios.

De acordo com Adriano Costa, coordenador de Administração dos CSUs da SJDHDS, como o trabalho nas unidades tem sido executado de forma remota na pandemia, é preciso prestar orientação aos técnicos dos 30 Centros Sociais Urbanos existentes no estado, especialmente quando se trata da atuação com o público idoso.

“Os CSUs estão com as atividades suspensas, mas, preocupados com o atendimento dos idosos, continuamos a fazer acompanhamentos por ligação e vídeochamadas. Mas precisamos entender a situação real da pessoa idosa nesse momento e nos preparar”, comentou.

Dentre os avanços das políticas públicas para idosos no Brasil e na Bahia, foram destacados: a atuação do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa (CEPI), órgão colegiado à SJDHDS; a mudança na compreensão do significado de envelhecimento populacional, em que o perfil da pessoa idosa passa a ser o de indivíduo ativo e capaz; a garantia de direitos prevista nas Políticas Nacionais do Idoso (Lei nº 8.842/1994), de Saúde da Pessoa Idosa (Portaria nº 2.528/2006) e no Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003); o direito ao Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas com mais de 60 anos em situação de vulnerabilidade social; à moradia, ao deslocamento seguro e à gratuidade nos transportes coletivos etc.

“Além disso, temos a questão da violência contra a pessoa idosa, que é um problema bastante antigo e complexo. Nós da Coordenação recebemos muitas denúncias de negligência, que é um tipo de violência, praticadas principalmente em ILPIs [Instituições de Longa Permanência para Idosos]. Essa população precisa ser vista com respeito”, pontuou Lúcia Mascarenhas, coordenadora de Articulação de Políticas para Pessoa Idosa da SJDHDS e também presidente do CEPI.

Quanto à questão da pandemia da Covid-19, Maria Ruth Rocha, diretora-fundadora da CMAIS Saúde, serviço de cuidados domiciliares para idosos, chamou atenção para o adoecimento psicológico e social causado pelo período. “Muitos idosos estão se sentindo abandonados no isolamento social, já que não podem ter contato com seus familiares, muitas vezes considerados pilares emocionais para o seu bem-estar. Saúde não é um segmento solitário, e a negligência tem impacto direto nesse aspecto”, acrescentou.

Já no contexto acadêmico, a professora doutora da Escola de Enfermagem e líder do Núcleo de Estudos e Pesquisa do Idoso da UFBA, Tânia Maria Menezes, contou um pouco mais sobre as atividades realizadas pelo NESPI, primeiro grupo de estudos sobre envelhecimento no Brasil, que tem cerca de 20 alunos da graduação e da pós pesquisando sobre o tema. “Não podemos pensar na pessoa idosa focando apenas no fator biológico. É importante pensar nas múltiplas dimensões da pessoa, como a parte espiritual, financeira, educacional, habitacional. Isso faz parte do contexto de vida dos idosos e não pode ser ignorado”, concluiu.

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