06/12/2023
Uma reunião estratégia, intitulada Pré-Conferência Internacional Iniciativa Negra por Direitos, Reparação e Justiça, promovida pela Iniciativa Negra por Uma Nova Política sobre Drogas, foi realizada nesta terça-feira (5), em Salvador. O momento de escuta da sociedade civil e do poder público serviu para fazer uma análise da conjuntura temática e discutir agendas de compromissos. O secretário de Justiça e Direitos Humanos –SJDH, Felipe Freitas, foi convidado para o momento.
A Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas é uma organização da sociedade civil que atua, desde 2015, pela construção de uma agenda de justiça racial e econômica, promovendo ações de advocacy em Direitos Humanos e propondo reformas na atual política de combate às drogas.
Conduzido por Dudu Ribeiro e Nathália Oliveira, co-fundadores e diretores executivo da entidade, o debate de hoje discorreu sobre os temas da segurança pública, saúde, política sobre drogas e enfrentamento ao racismo. O momento reuniu um público diverso, com representações indígenas, entidades do movimento negro, além da participação virtual da Organização dos Estados Americanos –OEA, dentre outras. Felipe Freitas iniciou sua participação no fórum reafirmando sua admiração e respeito pela Iniciativa Negra e por tudo o que ela representa e produz.
“Reitero, neste espaço, meu amor, respeito, carinho, aliança, cumplicidade e gratidão à Iniciativa Negra. O que a Iniciativa tem produzido até aqui, é revolucionário, é o anúncio de desafios do que tem de mais importante na agenda geopolítica Latino-americano: o enfrentamento dos mercados ilegais. E, de forma sábia, articulada e embasada, a Iniciativa faz esse debate se conectando com todos os sujeitos e interesse: mães de vítimas da violência, lideranças indígenas e comunidades tradicionais. Por isso, estou aqui para reverenciar este espaço de diálogo e me somar a esta aliança”, declarou Freitas.
Participaram do debate a superintendente de Apoio e Defesa aos Direitos Humanos da AJSH, Trícia Calmon; e a pesquisadora da Iniciativa Negra e vice-presidente do Conselho Estadual de Proteção aos Direitos Humanos – CEPDH, entre outros.
Na sequência, o titular da SJDH apontou como o tema da segurança pública precisa estar no centro dos debates. “O campo da segurança pública é sempre difícil de tratar porque ele meche com as coisas mais sensíveis. Nada é mais humano do que buscar por segurança, seja na vida, no trabalho, na moradia, na família... Ao mesmo tempo, nada é mais desesperador do que ter a vida em risco, e os defensores de direitos humanos sabem bem disso. O caminho é a gente apostar em ir para o centro do debate, discutir um projeto de desenvolvimento para o Brasil. É sobre caminharmos para sermos uma potência mundial que reorganiza os mercados internacionais para reduzir a produção de armas e tudo o que há de ilegal - que produz violência e genocídio”.
Conferência
As discussões promovidas pela Conferência, que começaram hoje (5) à noite (18h), e segue até a próxima quinta-feira (7), na Biblioteca Central do Estado da Bahia, no bairro dos Barris, colocam o racismo no cerne de problemas sociais vivenciados pela comunidade global, principalmente nas Américas, como violência, desigualdade, injustiças penais e encarceramento em massa da juventude negra, atribuindo responsabilidades e reforçando o conceito de memória e verdade para impedir a repetição de atos que provocam danos irreversíveis para gerações de pessoas e suas famílias. A participação é gratuita e as inscrições serão feitas no local.
“Nós nos articulamos para promover essa reunião para que possamos reconhecer os mecanismos globais de genocídio do povo negro, e assim, pensar juntos, enquanto nação, em estratégias de enfrentamento à barbárie”, afirma a cofundadora e diretora executiva da Iniciativa Negra, Nathália Oliveira.