SJDH se despede da Flifs em grande estilo

02/10/2023
A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH) se despediu do Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (Flifs) em grande estilo. Após uma semana de lançamentos e venda de livros, distribuição de material informativo e realização de palestras sobre Educação e Cultura em Direitos Humanos, a Secretaria encerrou sua participação na 16ª edição da festa literária com uma emocionante homenagem à pensadora e ex-ministra Luiza Bairros. Foi o ponto alto da SJDH na Flifs, a reunião de uma platéia emocionada em torno do lançamento do livro "Luiza Bairros: Pensamento e Compromisso Político", de autoria da socióloga Vanda Sá Barreto, na tarde de sábado (30).

“A ministra Luiza Bairros foi uma lutadora pela inclusão do povo negro na universidade e em outros espaços outrora negados a esta população. No campo da teoria social, ela sempre ofereceu para nós as melhores reflexões do movimento negro, no sentido de que ela estava conectada metodologicamente com o melhor das reflexões das ciências sociais”, declarou o titular da SJDH, Felipe Freitas. Além do secretário, a mesa do lançamento foi composta por Luiz Alberto (assessor Especial da SJDH); José Hilton Santos Almeida (ator e diretor de teatro); Ana Flávia Magalhães Pinto (diretora-geral do Arquivo Nacional); e Edna Maria de Araújo (professora da Uefs – Universidade Estadual de Feira de Santana); sob mediação de Urania Santa Barbara (assessora técnica da SJDH).

"Estamos aqui, para celebrar Luiza, que sempre foi um farol. Espero que esse livro seja uma referência, um guia no combate ao racismo e à intolerância religiosa”, afirmou Vanda Sá“, segundo a qual, Bairros defendia que a promoção da igualdade se daria através do combate ao racismo. Já o assessor Especial da SJDH, Luiz Alberto, recordou a criação do Grupo de Mulheres do MNU (Movimento Negro Unificado), organização da qual a ex-ministra foi a primeira dirigente nacional. “Luiza criou uma peça de teatro, montada em bairros periféricos, assim como ajudou a fomentar um cineclube, liderado pelo histórico cineasta Luiz Orlando. Ela era uma intelectual orgânica do povo negro. Ela era o povo e vivia intensamente essa dimensão. Seria impossível esgotar em um livro toda a contribuição de Luiza para a nossa militância, nossa luta, nossas construções no campo das relações raciais, destacou Luiz Alberto.

O ator e diretor José Hilton Almeida se emocionou ao falar sobre o compromisso da ministra e militante negra com a cultura. “Luiza sabia a dimensão da cultura e da arte, que pode transformar qualquer coisa. Ela criticava todo e qualquer governo que não dava o devido valor à arte”, afirmou o artista, também conhecido como Hilton Cobra. A professora da UEFS, Edna Maria de Araújo, agradeceu à SJDH pela organização da mesa e lembrou do dia em que conheceu Luiza Bairros, no início dos anos 2000, ratificando a determinação da homenageada na luta pelo ingresso de estudantes negros e negras na universidade. “Para honrar Luiza, não podemos deixar esvaziarem a nossa luta coletiva”, completou a diretora-geral do Arquivo Nacional, Ana Flávia Magalhães Pinto, primeira mulher negra a assumir o cargo.

Luiza Helena de Bairros é uma das principais referências brasileiras no campo de estudo das relações raciais, pensadora e militante dos movimentos negro e de mulheres negras. Fez sua carreira política na Bahia, onde era radicada e assumiu o comando da Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade Racial (2007-2010). Formada em Administração, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, possuía Mestrado em Ciências Sociais, pela Universidade Federal da Bahia e doutorado em Sociologia pela Universidade de Michigan. Organizou vários livros e escreveu diversos artigos sobre racismo, sexismo e o negro no mercado de trabalho. Muitos de seus textos foram publicados pelas revistas Afro-Ásia, Bahia Análise & Dados, Caderno CRH, Estudos Feministas, Humanidades, e Força de Trabalho e Emprego, além de livros e periódicos das Nações Unidas no Brasil. Um de seus mais famosos artigos é “Nossos feminismos revisitados”, de 1995. 

A Feira
Realizada entre 26/09 e 1º de outubro, a Flifs explorou o tema "Literatura e sertão: o bicentenário da Independência da Bahia no Brasil". Milhares de pessoas compareceram à Praça Padre Ovídio, no Centro da cidade, onde curtiram as atrações do Festival. Outras obras lançadas no stand da SJDH foram "Bricanto: Autismo Tamanho Família", de Mariene Martins Maciel; "Use o Cinto de Segurança: Uma História Verdadeira"; "A Turma do Rafinha: Trânsito" e "A Turma do Rafinha: Xadrez", de Rafael Silva Medeiros; "Corações de Vidro", de Glady Maria da Silva; "Pedagogia da Desobediência", de Tiffany Odara; "Grimório do Mago: A Maldição do Mel"; “Grimório do Mago: A Fonte do Mal", de Alexandre Araújo; "Lyuba: A Menina Amor", do autor mirim André Luiz. "Livro: Legião de Mim", de Dee Mercês; "Lugar Comum", de Mariana Paim.