O jovem Pablo Matos, 22, participou, nesta segunda-feira (14), da Oficina de Pintura de Cabaças, realizada na sede do Coletivo Bahia Pela Paz Águas Claras, em Salvador. Enquanto pintava as frutas previamente preparadas para a atividade, Pablo lembrou-se da infância, de suas origens e sentiu uma “tranquilidade incomum” em meio às demandas do cotidiano.
“Me lembrei da minha infância que há muito tempo eu não lembrava, que é justamente sobre a cabaça, sobre minha energia e genética indígena. Foi muito gratificante para mim retornar o que já passou, mas que é muito importante de se lembrar. O fato de não ter outras preocupações além de cuidar de mim mesmo, de minha saúde mental, de ter um momento de tranquilidade, que é muito importante, mas normalmente a gente não tem.”, conta o jovem beneficiário.
A oficina é o fechamento de um ciclo de atividades formuladas pelo Coletivo, a partir de ações integradas e coordenadas de diferentes núcleos da iniciativa, com o intuito de fortalecer vínculos entre jovens beneficiários e o território de Águas Claras. As ações propõem novos olhares para o bairro, ainda marcado por estigmas sociais, como explica Larissa Marques, assistente social do Coletivo Bahia pela Paz – Águas Claras.
“A oficina vem no sentido de mostrar o que se produz de vida nestes territórios. A gente fez uma Estação Sensorial da Memória para estimular o resgate de uma memória coletiva relacionada ao bairro, (para saber) quais histórias este território conta, quais histórias estão enraizadas em Águas Claras. Os jovens foram convidados a participar desta Estação para relembrar infâncias, adolescências, pensar no território como um lugar de afeto”, explica.
De acordo com a também assistente social do Coletivo, Sheila Silva, a atividade promove a integração e valorização dos jovens a partir da expressão artística. “O objetivo principal é fazer com que essa juventude se sinta valorizada e que possa ter acesso a bens culturais, que criem representatividades, construindo e expandindo conhecimento, criando coletivos de jovens para fortalecer o território, tendo eles como peça principal e fundamental do desenvolvimento”, diz.
Além da Estação Sensorial da Memória e Oficina de Pintura de Cabaças, o ciclo de atividades contou também com oficinas de argila e saídas culturais para museus. Como produto final, o Coletivo irá promover uma exposição com registros de todo o percurso realizado pelos jovens beneficiários dentro do ciclo de atividades que articula corpo, identidade e memórias.
Bahia Pela Paz - Programa estratégico do governo da Bahia para a prevenção social e redução da violência, a iniciativa tem como público prioritário jovens de 12 a 29 anos, em situação de vulnerabilidade social. Os Coletivos Bahia pela Paz são a principal estratégia de articulação comunitária do Programa. Os Coletivos são equipamentos de promoção de direitos humanos, instalados nas regiões urbanas mais densamente povoadas da Bahia e, também, com maiores índices de vulnerabilidade. De portas abertas para a comunidade, eles oferecem serviços integrados de educação, cultura, esporte, inserção no mercado de trabalho, atendimento psicossocial, acesso à cidadania e garantia de direitos, difundindo a cultura de paz entre as juventudes e suas famílias