“Negro é a raiz da liberdade.” Foi assim que o Cortejo Afro, o elegantemente sofisticado, deu início ao desfile no Circuito Osmar com o tema “Joias de Crioula - Centenário de Mãe Santinha de Oyá”, no fim da noite de sexta-feira (28), segundo dia oficial do Carnaval. Contemplado pelo programa Ouro Negro, promovido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), o bloco valorizou a tecnologia afro-brasileira e a história da Ialorixá do terreiro Ilê Asé Oyá.
A agremiação emocionou no desfile pela Passarela Nelson Maleiro, onde os espectadores apreciaram a passagem do bloco, com hinos carregados de ancestralidade e poder, além do charme presente na vestimenta dos foliões e na decoração do trio. A atriz baiana Edvana Carvalho também esteve presente no evento, abrilhantando os festejos.
O Cortejo levou ao Carnaval deste ano a história das joias de crioula, que eram feitas a partir de técnicas usadas na confecção dos adornos do Reino de Daomé, além de homenagear a matriarca histórica do bloco, fundamental nas obras sociais do terreiro dedicadas aos moradores do bairro de Pirajá.
“Estamos falando de riqueza, de sabedoria, de cultura, de estética, e para quem não consegue ver direito, estamos falando de semiótica também. Isso aqui é uma réplica do barracão de Pirajá, de Mãe Santinha”, expressou o diretor artístico e idealizador do Cortejo Afro, Alberto Pitta.
O casal Paulo Vítor, 27 anos, e Evelyn Kevelin, 25 anos, juntos há 5 anos, foi à avenida para “manter vivo o legado de Mãe Santinha de Oyá”, como disse Paulo, que “desde sempre” desfila como herança de família.
O recifense Luciano Pereira, 43 anos, veio à Bahia para percorrer o trajeto pela primeira vez com a instituição. “É fantástico estar aqui. Primeiro, valorizamos nossa cultura, nossa ancestralidade. É mágico participar desta magia. Em Recife, vou para o Galo da Madrugada e passo 8 horas; hoje, passo por esse corredor emocionado”, contou.
* Clique aqui e acompanhe também o canal da SecultBA no WhatsApp