O Afoxé Laroyê Arriba desfilou nesta sexta-feira (13), segundo dia oficial do Carnaval de Salvador 2026, marcando sua estreia na folia com um cortejo dedicado à ancestralidade. Saindo da Rua Chile em direção ao Campo Grande, o desfile foi conduzido pelo som do ijexá e pela percussão marcante, reunindo ala de músicos, casal de mestre-sala e porta-bandeira e dançarinos que saudaram os orixás ao longo do percurso.
Com cerca de 700 integrantes, o cortejo chamou atenção pela organização e pela força simbólica apresentada na avenida. O abadá branco, predominante entre os participantes, reforçou a proposta estética do desfile, remetendo à paz, à espiritualidade e à conexão com as tradições de matriz africana. Durante o trajeto, o público acompanhou cânticos, coreografias e referências às matrizes africanas, reafirmando o afoxé como uma das expressões mais simbólicas e identitárias da festa.
Conhecido como o caçula entre os Afoxés da cidade, o grupo foi criado em 2006, a partir de um projeto de TCC da presidente e Ialorixá Soraia Gomes. Fundado com o propósito de salvaguardar e fortalecer a cultura africana, o Afoxé construiu, ao longo de duas décadas, uma trajetória marcada pela valorização das tradições e da ancestralidade. Para Soraia, a saída do bloco neste ano tem um significado ainda mais especial, pois o grupo celebra 20 anos de existência, trazendo como tema Ayan Agalu.
“Este ano é muito especial. Estamos completando 20 anos de Afoxé e homenageando Ayan Agalu, a divindade que habita os atabaques e tambores. Ela é responsável por emanar boas energias, pelo som que ecoa do coro do boi e do bode. Nosso intuito é fazer com que as pessoas a conheçam e reconheçam a força e a importância de sua existência”, destaca.
Entre os foliões, a estudante de Psicologia e candomblecista Mayara Silva, de 30 anos, acompanhou o desfile e ressaltou a importância da representatividade cultural no Carnaval. “Fiquei muito emocionada em ver tanta gente jovem desfilando, ocupando as ruas com respeito à ancestralidade e à nossa espiritualidade. É bonito perceber a juventude se envolvendo, aprendendo e mantendo viva essa tradição”, afirmou.
Em 2026, o Afoxé Laroyê Arriba está entre os grupos contemplados pelo Programa Ouro Negro, iniciativa do Governo do Estado da Bahia executada pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, que apoia blocos afro, afoxés e outras entidades de matrizes africanas no Carnaval. Criado em 2008, o programa fortalece a participação dessas agremiações nos circuitos oficiais da festa e contribui para a preservação e difusão da cultura afro-brasileira.