O Bloco Alvorada abriu a sexta-feira (13), no Circuito Osmar, com um cortejo marcado por ancestralidade e reverência. Em celebração aos 51 anos de história e aos 110 anos do samba, a agremiação homenageou a centenária Nengua Guanguancesse, uma das principais matriarcas do Terreiro do Bate Folha, exaltando a força das mulheres negras e as raízes afro-brasileiras.
Fundado em janeiro de 1975, o Alvorada é reconhecido como o bloco de samba mais antigo de Salvador e mantém viva a tradição das sextas-feiras de Carnaval no Circuito Osmar. Ao longo de mais de cinco décadas, consolidou-se como referência cultural e ampliou sua atuação por meio do Instituto Cultural Alvorada Bahia, com projetos culturais e sociais voltados ao fortalecimento da identidade baiana.
A homenagem também destacou a trajetória do bloco e sua atuação junto à comunidade ao longo das décadas. O desfile reafirmou o compromisso do Alvorada com a valorização das tradições afro-brasileiras e com o reconhecimento das mulheres que sustentam a memória e a cultura do povo negro.
A velha guarda conduziu o desfile ao som dos instrumentos tradicionais do samba. Com camisas do bloco e chapéus vermelhos com fitas azuis, os integrantes reforçaram a identidade da agremiação. As baianas também marcaram presença, levando brilho e imponência ao cortejo e recebendo aplausos do público.
Para quem acompanha o bloco há anos, o sentimento é de pertencimento. “Estar no Alvorada é estar em família. Ver um bloco com 51 anos na avenida celebrando o samba é só alegria”, afirma Francine Cardoso, que participa há uma década. Marcos Antônio, natural de São Paulo e morador de Salvador há 40 anos, desfila no Alvorada há quase três décadas. “Sempre estive envolvido com o samba. Estar aqui homenageando o samba da Bahia é muito prazeroso”, destacou.
Entre tradição e resistência, o Alvorada reafirmou que o samba segue como elo entre passado e presente, mantendo viva a história na avenida.