Reforçando a tradição do ritmo brasileiro há quase 25 anos, o bloco Reduto do Samba fortalece o estilo musical homenageado este ano durante o Carnaval de Salvador. Valorizando o tema “110 Anos de Samba”, mais de 2 mil foliões percorreram o Circuito Osmar, no Campo Grande, na sexta-feira (13). O cantor Filipe Escandurras estreou assumindo os vocais do trio e realizando um sonho, segundo ele.
“Estou feliz demais em estar realizando o sonho de fazer parte desse bloco maravilhoso. Eu que já saí como folião, hoje estou tendo essa responsabilidade de estar aqui, trazendo um mix de músicas boas, como Gilberto Gil, Caetano Veloso, samba de roda raiz e influências do samba de Santo Amaro”, declarou Filipe Escandurras.
Resgatando a importância do Circuito Osmar para a história da festa carnavalesca, o presidente do bloco, Newton Dias, o considera o mais tradicional da folia baiana. Para ele, o trajeto se mantém ativo em decorrência dos blocos de samba. “Desde 1950 e na década de 1970, esse circuito se fixou. O que nós temos que valorizar é que os blocos de samba revitalizaram o Circuito Osmar na quinta e na sexta-feira. Ele sobreviveu graças aos blocos de samba”, disse.
Apaixonado pelo bloco e associado há seis anos, o comerciante Alexandre Lapa, 52, considera o Reduto do Samba “tipo torcida, coisa de sangue, de paixão e de alma. Ele foi fundado no lugar onde nasci, e eles sempre trazem atrações novas, que vão agradar todos os foliões. Todo mundo que toca no Reduto, seja pequeno, médio ou grande, faz sucesso”, elogiou.
Criado no bairro do Tororó, na capital baiana, Newton Dias conta com orgulho que “o Reduto do Samba já nasceu grande. No primeiro ano, nós viemos com Arlindo Cruz e conseguimos colocar na Avenida quase 4 mil foliões. Nós sempre trazemos grandes atrações, como Fundo de Quintal e Dudu Nobre, por exemplo”. A servidora pública Carla Vieira, 30, afirmou que “é um bloco que a gente consegue ver leveza, pois não tem tumulto, é mais família. Eu gosto muito”.
Buscando unir tradição e renovação, o Reduto do Samba participa do Programa Ouro Negro desde o início da iniciativa, em 2008. O presidente do bloco destacou a relevância desse apoio para a viabilidade dos desfiles durante o carnaval. “Se não fosse esse Programa, talvez muitos blocos não sobrevivessem. Para o segmento afro, o Ouro Negro é fundamental e tem que continuar existindo”.
Com investimento recorde de R$ 17 milhões, o Programa Ouro Negro 2026 fortalece blocos afros, afoxés, sambas, grupos de capoeira e outras manifestações que fazem da festa baiana uma referência mundial. A iniciativa integra as ações do Carnaval da Bahia: Um Estado de Alegria, reafirmando o protagonismo das tradições negras na maior festa popular do país.