O Bloco Canelight desfilou na tarde deste sábado (14), no Circuito Osmar (Campo Grande), levando para a avenida o tema “Minha África de Ouro, minha Bahia do Axé. É o samba na ponte da ancestralidade”. Com um cortejo marcado pela valorização das raízes do samba e da cultura afro-baiana, o bloco reuniu foliões de diferentes gerações em um desfile de celebração, memória e pertencimento.
Com atrações como Samba de Nêgo e o grupo Swing do Fora, o Canelight reforçou sua identidade musical ligada ao samba tradicional e às expressões populares do território do Canela, região histórica do Carnaval de Salvador. O desfile destacou a importância da ancestralidade como elo entre passado e presente, reafirmando o papel da cultura negra na construção da festa.
Na avenida, o clima foi de tranquilidade e alegria. O técnico em logística Marinaldo, 48 anos, acompanha o bloco há 15 anos. “Está tudo de bom. As atrações são excelentes e a organização também”, avaliou. A médica-veterinária Silvana Abreu, 33 anos, também destacou a experiência. “Estou achando o máximo. Quem puder vir, venha. Está tudo tranquilo e bem organizado”, afirmou. A contadora Samila, 37 anos, participou pela primeira vez com a família. “Viemos com meu esposo e minha filha. Está bem animado e organizado. É a nossa primeira vez no bloco e estamos amando”, contou.
Conexão- Presidente do bloco, o compositor e cantor Jair Almeida de Lima destacou a ligação histórica com o Campo Grande e com o Carnaval desde a infância. “O Carnaval sempre nasceu aqui no Campo Grande, nas redondezas do Canela. Na época da Cruz Vermelha, nós ajudávamos a fazer os carros, amassando papel de cimento para os artistas criarem. O Carnaval está no nosso sangue desde criança”, afirmou.
Aos 80 anos, Jair conta que grande parte da sua vida foi dedicada à festa. “Vou fazer 80 anos, mas 60 ou 70 deles são de Carnaval. Aprendi alguma coisa — não sei tudo, porque ninguém sabe tudo. Resolvemos criar um bloco porque todo mundo do bairro saía em outros. Então fizemos o nosso”, explicou.
Fundado em 2001, o Canelight surgiu de forma simples, com apenas 38 pessoas desfilando com corda de sisal e segurança improvisada. O nome também nasceu dessa origem. Segundo o presidente, a ideia era criar um espaço de convivência e alegria. “Eram 38 pessoas que só saíam para tomar cana. Então tinha que ser uma cana light, suave, para não ter problema. Aí juntou com Canela e virou Canelight”, contou.
Hoje, o bloco completa 25 anos e reúne cerca de 1.200 a 1.300 foliões. “Só não crescemos mais porque ainda não temos estrutura para atender a essa demanda”, afirmou Jair. Além do desfile, o Canelight desenvolve ações sociais ao longo do ano, com assessoria jurídica gratuita, oficinas de dança, música e percussão, fortalecendo a cultura e ampliando oportunidades para a comunidade. O bloco também vende abadás, mas mantém uma política de inclusão. “A gente cobra, mas a pessoa paga o que tiver. Não deixamos ninguém de fora”, destacou.
Jair também ressaltou a importância do apoio institucional para a permanência dos blocos de base. “Quero agradecer ao governo do estado, porque é quem ajuda a gente. Sem os governos municipal e estadual, bloco pequeno não sairia. Muitos só conseguem ir para a rua por causa desse apoio”, disse, referindo-se aos programas de incentivo à cultura.