O Bloco Abuse e Use marcou presença no Carnaval de Salvador 2026 com um desfile de afirmação identitária, musicalidade e compromisso social. Com o tema “Meu corpo é o samba, o tamborim que o mundo não silenciou”, o bloco de samba levou para a avenida uma proposta que dialoga com a valorização do corpo negro, da ancestralidade e da resistência cultural, reafirmando o samba como linguagem de expressão e liberdade.
Fundado em 1994, o Abuse e Use nasceu com atuação sociocultural no bairro do Candeal, onde desenvolve, desde então, ações voltadas para a comunidade. Vice-presidente do bloco, Marília Santos destacou que o trabalho vai além do período carnavalesco. “A gente desenvolve atividades socioculturais no Candeal desde a nossa fundação. Temos oficinas de dança, de costura e de percussão, fortalecendo a cultura e gerando oportunidades. Hoje o bloco conta com cerca de 1.800 associados”, afirmou.
Ao longo dos anos, o grupo passou por transformações. Inicialmente, o desfile acontecia no Pelourinho, com forte presença de alas de dança. Com o tempo, o bloco passou a investir na musicalidade do samba, ampliando sua estrutura e alcance. Presidente do Abuse e Use, Manuel Ademilson, conhecido como Mimiso, ressaltou a importância do apoio institucional para o crescimento do projeto. “Nasci e fui criado no Candeal. Mudamos para o bloco de samba porque começou a ter maior apoio do Governo do Estado. Através desse incentivo à cultura, o Abuse e Use vem crescendo. Esse apoio, por meio do programa Ouro Negro, tem sido fundamental”, explicou.
Em 2026, o cortejo contou com a participação especial da cantora Amanda Santiago como atração principal. A artista já possui vínculo com o projeto social do bloco e acompanha as iniciativas culturais desenvolvidas no Candeal, fortalecendo a relação entre música, território e transformação social. Também no cortejo, o grupo Fragmentos de Samba e o Pagode do Igor.
A diversidade musical também marcou o desfile. O sanfoneiro Valtinho do Acordeon, 47 anos, participou pela primeira vez do bloco e celebrou a união de ritmos nordestinos. “É a minha primeira vez no Abuse e Use. O forró e o samba são ritmos diferentes, mas de certa forma são contemporâneos e se completam. Isso é coisa de nordestino”, destacou.
Na avenida, o sentimento era de alegria, segurança e pertencimento. A atendente Carla Oliveira, 44 anos, contou que participa do bloco há dois anos ao lado da família e amigos. “Eu já saio há dois anos. Sempre venho com meu esposo, minha cunhada e amigos. Está sendo maravilhoso. É companhia, é segurança e é uma energia muito boa”, afirmou.