Bloco Araiyê celebra Ogum Xoroquê com desfile no circuito da festa

14/02/2026
Araiyê levou para a avenida a força da religiosidade de matriz africana
Ascom SecultBA

O Bloco Araiyê Juventude e Alegria desfilou neste sábado (14), no contrafluxo do Circuito Osmar (Campo Grande), saindo da Praça da Sé, em um cortejo marcado pela juventude, pela religiosidade de matriz africana e pela valorização das comunidades periféricas de Salvador. Com o tema “Ogum Xoroquê”, o bloco transformou a avenida em um espaço de celebração da fé, da cultura negra e da alegria coletiva.

Fundado em 1989, o Araiyê passou por uma pausa de mais de uma década e retornou em 2013 com uma nova formação, priorizando os jovens e fortalecendo o protagonismo das periferias, especialmente da região das Barreiras, no Cabula. Desde então, o grupo mantém a tradição de sair todos os anos no Carnaval.

Tesoureiro do bloco, Valter José explicou que a retomada marcou uma nova fase. “Paramos por mais de dez anos e retornamos com uma nova versão, com juventude e alegria. De lá para cá, não deixamos mais de sair no Carnaval. O bloco está na rua todos os anos, sempre com dançarinos, porque preferimos não colocar muita gente, mas fazer algo organizado e bonito”, afirmou.

O desfile contou com cinco alas, cada uma representando elementos simbólicos das religiões de matriz africana. Entre elas estavam a ala das baianas, o Snipe e alas ligadas a diferentes arquétipos de orixás. As cores também carregavam significados: a ala vermelha representava Ogum, e a ala verde era dedicada a Oxóssi, reforçando a conexão espiritual do tema deste ano.

O cortejo teve ainda a participação do cantor Raimundo Nonato, do projeto musical Pinote do Gueto, convidado para integrar a apresentação. “Fui convidado pelos amigos do bloco e fiquei muito feliz. Tenho um trabalho independente, mas essa junção com o Araiyê é muito importante. Está sendo um dia maravilhoso, e tudo está dando certo”, disse.

Na avenida, o sentimento era de segurança, pertencimento e celebração. A lojista Natasha Calazans, 36 anos, integrante de uma das alas, destacou a tranquilidade do desfile. “Estou muito feliz e me sentindo segura. Está tudo indo bem, tudo tranquilo. Está sendo um Carnaval muito bom de curtir”, afirmou.

Já Elenilza Santos, 47 anos, filha de baiana de acarajé e integrante da ala das baianas, ressaltou a importância da tradição familiar. “Eu exerço a função da minha mãe, que passou de geração em geração. Estou aqui há dois anos. Está um Carnaval muito lindo, lindo de ver e sentir”, contou.

O Araiyê também desenvolve ações sociais ao longo do ano nas comunidades. “Somos da região das Barreiras, no Cabula, e continuamos realizando um trabalho social. Fazemos atendimento médico, aulas de dança e de percussão. Agora estamos iniciando uma atividade de informática, porque, mesmo com o celular, o curso ainda é muito importante para a juventude”, destacou Valter que também atua como presidente do Bloco Jogo do Ifá, fortalecendo o vínculo do grupo com as tradições afro-religiosas.

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