Homenagem a Catarina Paraguaçu marca desfile do bloco Commanche do Pelô

15/02/2026
Commanche do Pelô desfilou no Campo Grande celebrando 52 anos de resistência e tradição
Ascom SecultBA

Com 52 anos de história e resistência, o bloco Commanche do Pelô levou para o Circuito Osmar (Campo Grande), neste domingo (15/02), um desfile marcado pela homenagem a Catarina Paraguaçu, indígena tupinambá do século XVI e símbolo da presença feminina na formação da Bahia no período colonial.

As fantasias dos cerca de 2.500 foliões estampavam o slogan do Carnaval do Commanche: “Catarina Paraguaçu: mulheres pretas e indígenas comancheiras”. O tema dialoga diretamente com a trajetória do bloco, uma das entidades que preservam, no Carnaval de Salvador, a tradição dos blocos com referências indígenas.

Fundado em 1974, o Commanche do Pelô, assim como outros blocos com o mesmo perfil da época, teve papel importante ao acolher a população negra antes mesmo da criação dos primeiros blocos afro. A fantasia com inspiração na cultura indígena surgiu, nesse contexto, como forma de representar a origem diversa do povo baiano, além de homenagear os povos originários brasileiros.

Para Jorginho Comancheiro, presidente do bloco, a escolha de Catarina Paraguaçu reforça a homenagem às mulheres por meio de uma personagem que, assim como o próprio bloco, carrega um legado de resistência.

“Nosso plano este ano era homenagear as mulheres pretas e indígenas. Depois de algumas conversas, chegamos ao nome de Catarina Paraguaçu, uma figura que carrega esse sentimento de resgate e afeto. À medida que apresentávamos a ideia, as pessoas se emocionavam muito, algumas até às lágrimas”, conta Jorginho.

Parcerias- No desfile, o Commanche levou ao circuito seu tradicional “teatro ambulante”, organizado em onze alas, entre elas as já conhecidas Tropical e Caciques. Parte dessas alas também nasce de parcerias, como a colaboração com o grupo Tribo da Paz, do bairro de São Tomé de Paripe, articulada pelo diretor do bloco, Gerson Celestino.

“Temos essa parceria com o Commanche há mais de dez anos. O bloco tem como princípio apoiar iniciativas em outros bairros de Salvador, ampliando as ações comancheiras. Assim, conseguimos trazer hoje um pouco da dança dos jovens do nosso grupo”, explica Celestino.

Ouro Negro- O desfile do Commanche do Pelô, que retorna ao Campo Grande nesta segunda-feira, a partir das 11h, com o bloco infantil “Commanheerê”, conta com o apoio do Programa Ouro Negro, criado em 2008 com o objetivo de fortalecer manifestações da cultura afro-brasileira e apoiar ações socioculturais desenvolvidas por entidades em suas comunidades de origem.

Segundo Jorginho Comancheiro, iniciativas como o Programa Ouro Negro, além do edital Hilda Jitolu, integrante da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB Bahia), realizada em parceria entre o governo federal e o governo do estado, são fundamentais para a continuidade das atividades do bloco.

“Estamos no Programa Ouro Negro desde o início; é algo crucial para nós. Muitas instituições culturais talvez já não existissem sem essa iniciativa. Além disso, fomos contemplados recentemente pelo edital Hilda Jitolu, que leva o nome dessa histórica ialorixá, mãe de Vovô do Ilê. Com esse apoio, conseguimos investir na produção de adereços em nossa sede e desenvolver outras ações, garantindo que nosso trabalho cultural e social aconteça durante todo o ano, e não apenas no Carnaval”, afirma o presidente.

Com investimento recorde de R$ 17 milhões em 2026, o Programa Ouro Negro assegura a participação de 95 entidades de matriz africana nos principais circuitos do Carnaval de Salvador, fortalecendo blocos afro, afoxés, grupos de samba, capoeira e outras expressões que fazem da festa baiana uma referência mundial. A iniciativa integra as ações do Carnaval da Bahia: Um Estado de Alegria e reafirma o protagonismo das tradições negras na maior festa popular do país.

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