O circuito Mãe Hilda Jitolu, no bairro da Liberdade, em Salvador, foi tomado pelo reggae durante o desfile do Bloco Cultural Ska Reggae, na tarde deste domingo (15). Celebrando a ancestralidade negra em uma travessia cultural e espiritual que une o axé do Candomblé à luz do Rastafári, o tema apresentado foi “Raízes de Fogo – Brasil e Etiópia, Uma Só Fé”.
A produtora executiva do grupo, Luana Oswaldo, ressaltou que “a intenção do cortejo cultural na Liberdade é justamente para fortalecer o circuito, pois é um bairro de população negra que leva o nome de uma Ialorixá. Esse ano, trouxemos tanto a Nação Rastafári quanto o Candomblé no nosso tema e na fantasia, então não seria justo não levar a nossa agremiação para o circuito Mãe Hilda. As famílias se predispõem a estarem no circuito nos aplaudindo, e isso é de suma importância”.
No repertório, clássicos consagrados e raridades do reggae, criando uma atmosfera sonora que marca sua identidade. Inspirado no fogo de Xangô — justiça e trovão — na força simbólica do Leão de Judá e no legado eterno do ex-presidente Valmir Dois Mundos, o bloco se reafirma como movimento cultural de rua, levando música, mensagem e resistência ao povo.
Além de garantir que esse estilo mundialmente conhecido através de artistas como Bob Marley marcasse presença no carnaval de Salvador, o grupo busca estimular a construção de uma cultura cidadã que vai além de desfilar sua beleza negra. Ele visa também disseminar no discurso sua raiz ancestral e legado histórico.
"O grupo vem desenvolvendo suas atividades ao longo dos anos com o incentivo do Programa Ouro Negro, e a gente entende que colocar o bloco na rua não é uma tarefa fácil. Só conseguimos realmente reunir foliões, amigos, parceiros e o público através do Ouro Negro, que vem crescendo, se posicionando e entendendo que as pequenas agremiações precisam desse apoio para poder colocar o bloco na rua e fazer um carnaval bonito, interativo, pertencente ao nosso universo ancestral", enfatizou Janaína Costa, assistente de produção do Ska Reggae.
Com investimento recorde de R$ 17 milhões, o Programa Ouro Negro 2026 fortalece blocos afros, afoxés, sambas, grupos de capoeira e outras manifestações que fazem da festa baiana uma referência mundial. A iniciativa integra as ações do Carnaval da Bahia: Um Estado de Alegria, reafirmando o protagonismo das tradições negras na maior festa popular do país.