Domingo de Carnaval Ouro Negro foi palco para blocos infantis e valorização da cultura indígena no Campo Grande

16/02/2026
Domingo de Carnaval foi dedicado às crianças e à cultura indígena
Ascom SecultBA

O domingo de Carnaval Ouro Negro (15), no circuito Osmar, Campo Grande, foi marcado pelas apresentações de blocos infantis, além de agremiações que trabalham para a valorização da cultura afro-brasileira e indígena. Todos levaram uma mensagem de alegria, valorização da cultura e preservação da identidade dos povos originários.  

O bloco Afro Infantil Ibéji levou para a passarela Nelson Maleiro crianças conscientes da própria negritude, dançando e oferecendo uma proposta lúdica de representatividade. O circuito se transformou em um espaço de formação, identidade e celebração da cultura afro-brasileira. Foram cerca de 800 participantes entre crianças, familiares e apoiadores, onde a festa também se tornou um momento de aprendizado e valorização das raízes.

Com bonecos gigantes representando figuras ilustres como Carmen Miranda, Charles Chaplin e Caetano Veloso, o bloco infantil Mamulengo encantou o público e reforçou a tradição dos bonecos no Carnaval de Salvador. Ao som de instrumentos de sopro e percussão, os pequenos foliões acompanharam o cortejo do início ao fim do percurso, interagindo com os personagens, dançando e celebrando a cultura popular nordestina.

Abrindo espaço para a cultura indígena, os blocos Commanche do Pelô e Apaxes do Tororó desfilaram simbolismos representativos de uma das culturas fundadoras do Brasil. Com 52 anos de história e resistência, o Commanche homenageou Catarina Paraguaçu, indígena símbolo da presença feminina na formação da Bahia no período colonial. Fundado em 1974, o Commanche do Pelô, assim como outros blocos com o mesmo perfil da época, teve papel importante ao acolher a população negra antes mesmo da criação dos primeiros blocos afro. A fantasia com inspiração na cultura indígena surgiu, nesse contexto, como forma de representar a origem diversa do povo baiano, além de homenagear os povos originários brasileiros.

Com coreografias e musicalidade próprias, o bloco Apaxes do Tororó transformou o circuito em um espaço de afirmação cultural. Para os integrantes, a presença nas ruas representa a continuidade de uma trajetória marcada pela valorização das manifestações de origem africana. Tendo o cacique Carlinhos Brown como convidado, reforçou a diversidade que caracteriza a festa em Salvador e evidenciou a contribuição das entidades culturais para a preservação da identidade da folia baiana.

Ação social além do Carnaval - Com uma base sólida de trabalho social nas comunidades do Engenho Velho de Brotas, Cosme de Farias e Caixa D’Água, o bloco Mutantes mostrou durante o desfile de domingo, somente uma das vertentes da sua atuação. Ao longo do ano, a entidade realiza iniciativas voltadas para a formação e inclusão social, como cursos de alfabetização, corte e costura, culinária e percussão, entre outras ações.

Fundado em 1979, na Baixa do Curuzu, e já chegando à terceira geração, o Ijexá Filhos do Congo desfilou com roupas coloridas e cheias de referências a Makota Valdina e a outros símbolos da herança africana. A agremiação celebra a história da professora, sacerdotisa e militante liderança social do bairro Engenho Velho da Federação, falecida em 2019. A mensagem transmitida pelo bloco foi contra a discriminação racial e social, além do combate ao feminicídio.

Já o Afro Pop 100 Censura ocupou o Campo Grande com força, elegância e identidade ao desfilar em homenagem a Gilberto Gil, levando para a avenida o tema ‘O canto da liberdade e da ancestralidade’ e reafirmando sua trajetória marcada por resistência e consciência negra. Fundado no fim dos anos 80 por estudantes da Faculdade de História da Universidade Católica, o bloco nasceu em meio às mobilizações pela liberdade de expressão e contra a discriminação racial. O 100 Censura mantém uma atuação ativa na comunidade do Engenho Velho de Brotas, oferecendo aulas de instrumentos de cordas e percussão.

Com mais de quatro décadas de história, o Bloco Os Negões realizou seu segundo desfile, na noite de domingo, reunindo associados, convidados e foliões em um cortejo marcado pela ancestralidade, pesquisa histórica e compromisso social. O tema deste ano, “Congo: Império invisível da Bahia”, guiou a apresentação e levou para a avenida a memória, a espiritualidade e a riqueza cultural do antigo Reino do Congo, destacando sua influência nas manifestações afro-brasileiras.

O desfile do Afoxé Kambalagwanze foi foi marcado pela resistência, musicalidade e celebração das origens negras. A saída contou com músicas autorais de Rose Mafalda, integrante da diretoria do bloco, e o som vibrante da Banda Alaiyé, envolvendo o público em cantos, dança e emoção ao longo do percurso. Além da proposta cultural, o bloco reforçou seu compromisso social, já que as fantasias são trocadas por três quilos de alimentos não perecíveis, destinados a ações comunitárias.

 

Fonte
Ascom SecultBA
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