Salvador, 29 de abril de 2026.
No dia 29 de abril, a Biblioteca do Estado da Bahia sediou o I Encontro do livro, leitura e memória. O evento fez parte das ações referentes às comemorações de 40 anos da FPC. Na ocasião os setores envolvidos com a produção literária baiana, a fomentação de eventos literários e estímulo à leitura foram convidados pela Diretoria do livro e da leitura para proporem ações fundamentais para o fortalecimento do setor do livro e da leitura no Estado. Esta carta formaliza as demandas dos profissionais do setor, destacando as propostas de ações divididas em quatro eixos:
- Eixo Academias de letras baianas.
- Eixo Festas e Feiras literárias.
- Eixo Autorias e criação.
Eixo Editoras baianas.
- Fortalecimento das Academias de Letras e Clubes de Leitura
É essencial reconhecer o papel dessas instituições como guardiãs da memória literária baiana. A criação de editais específicos para concursos, publicações de revistas e fomento a ações continuadas garantirá que a produção acadêmica e os clubes de leitura permaneçam ativos e acessíveis em todo o estado. Seguem as propostas abaixo:
- Edital para fomento de clubes de leitura vinculados às Academias ou não.
- Edital de concursos literários para Academias de letras.
- Edital de publicação para revistas das Academias de letras.
Edital para fomento de ações continuadas e eventos das Academias de letras da Bahia e de clubes de leitura.
- Consolidação de Festas e Feiras Literárias
Foi proposto que as feiras deixem de ser eventos isolados para se tornarem políticas de estado. É imprescindível garantir a presença de pelo menos uma feira por território de identidade, com a valorização do autor local (mínimo de 30% da programação) e a inclusão de estudantes da rede estadual. Além disso, a implementação de um Vale-Livro com recursos específicos da Educação é a chave para democratizar o acesso e girar a economia do setor. Seguem as propostas abaixo:
- Criação de uma Política Estadual de apoio a festas, feiras e festivais literários com garantia de pelo menos uma feira literária por território, com ações literárias pré e pós-feira, deixando um legado após o evento.
- Participação de no mínimo 30% de escritores locais (por Território de identidade), com um olhar mais sensível para a dignidade do escritor e artista local, principalmente dos autores independentes, com cachê compatível com o mercado entre outras logísticas (Passagem, hospedagem, alimentação).
- Com a manutenção do Edital, garantir o percentual mínimo de 10% da programação composta por estudantes da Rede Estadual. Garantir a participação de manifestações culturais do território de identidade na programação dos eventos literários.
- Garantir com a Secretaria de Educação um recurso específico para Vale- livro, que não seja recurso do edital.
- Valorização da Autoria e Criação
Para que o mercado seja justo, os editais devem respeitar as especificidades de cada linguagem (poesia, quadrinhos, acadêmicos, etc.). Defendemos a formação contínua dos autores e o reconhecimento desses como profissionais da economia criativa, integrando-os de forma remunerada e digna a espaços educacionais e artísticos. Seguem propostas abaixo:
- Propor discriminação das linguagens literárias em categorias no Edital Bahia que Escreve (ex.: poesia com poesia; quadrinhos com quadrinhos; acadêmicos com acadêmicos, entre outros). Essa iniciativa visa contemplar todas as formas de produções artísticas literárias;
- Promover ações de formação contínua nos diversos seguimentos estendidos de literatura com a inclusão de tecnologias emergentes;
Visibilizar os autores como profissionais da cultura fomentando ações da economia criativa a partir da introdução desses profissionais em espaços educacionais, eventos de artes, dentre outros.
- Incentivo às Editoras Baianas
A sustentabilidade da cadeia produtiva depende do apoio direto à editoração local. Foi solicitado o estabelecimento de percentuais mínimos de aquisição de livros de editoras baianas em eventos oficiais e a criação de editais exclusivos para selos do estado. Além de propor ações para viabilizar o fomento à tradução de obras baianas para o mercado internacional.
Seguem propostas abaixo:
- Estabelecer o percentual mínimo de aquisição de livros das editoras baianas, cadastradas na rede FPC, nos âmbitos dos eventos literários.
- Garantir a implementação de uma politica de aquisição de livros das editoras baianas cadastradas na rede FPC, fortalecendo a produção editorial baiana.
- Assegurar que os editais lançados pela rede FPC sejam destinados exclusivamente para editoras baianas.
- Fomentar a tradução de obras literárias e ampliar a visibilidade de autores baianos em eventos internacionais.
A partir das propostas apresentadas por cada eixo a Fundação Pedro Calmon, representada pela sua Diretoria do Livro e da Leitura, se compromete em avaliar os pleitos requeridos e estudar a melhor maneira de responder às demandas solicitadas.