Oficina realiza mapeamento dos Desafios e Prioridades da Cadeia Produtiva da Reciclagem

21/03/2024

No intuito de fortalecer a atuação das cooperativas de catadores de materiais recicláveis da Bahia, a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) participou, nesta quinta-feira (21), da oficina Desafios e Prioridades da Cadeia Produtiva da Reciclagem. O evento faz parte do projeto Governança no Reciclar, uma iniciativa do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), e abordou temas como a melhoria da infraestrutura de coleta seletiva, acesso a tecnologias de reciclagem, capacitação dos catadores e catadoras, assim como a promoção de políticas públicas mais inclusivas.

Destinado aos associados de 15 cooperativas de catadores, a oficina contou também com a participação de representantes de empresas, universidades, instituições financeiras e órgãos governamentais.

“O objetivo de participar destas iniciativas é de somar esforços, reunir todos os parceiros potenciais para a construção de um modelo mais sustentável e inclusivo de gestão de resíduos sólidos, por meio de incentivos e valorização dos catadores e catadoras. Essa qualificação para as cooperativas representa um avanço na pauta, pois objetiva inseri-las na economia circular de forma técnica e assertiva”, pontuou a diretora de Políticas e Planejamento Ambiental da Sema, Luana Pimentel.

A diretora destacou ainda que o governo estadual tem concentrado esforços conjuntos através do Comitê de Inclusão Socioprodutiva de Catadoras e Catadores, coordenando pela Casa Civil. “A Sema já atua em projetos de apoio aos trabalhos realizados pelas cooperativas em festas populares, junto a Setre, além do planejamento e ações para essa categoria nas áreas de educação ambiental, Pagamento por Serviços Ambientais e na logística reversa”.

O projeto de qualificação terá investimento total de R$ 100 mil, oriundos de edital do Programa de Apoio à Competitividade das Micro e Pequenas Indústrias (PROCOMPI), uma colaboração entre a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE).

A coordenadora de negócios do IEL, Sandra Pasta, explicou que nesta primeira etapa serão feitas dinâmicas de escuta para colher quais as principais demandas dos catadores e recicladores. “É um projeto que tem duração de 12 meses e visa contribuir para a melhoria da gestão empresarial das cooperativas de materiais recicláveis. Então, este é um momento em que os cooperados e demais participantes expõem as maiores dificuldades, obstáculos logísticos e de gestão, enfrentados durante suas rotinas”.

Referência entre as catadoras de recicláveis, Michele Almeida, presidente da cooperativa CAMAPET, falou sobre as expectativas da categoria. “Esperamos melhorar nossos conhecimentos, uma das preocupações da gente é em relação à cadeia produtiva, ter o local para destinação correta do material. Também queremos fazer mais educação ambiental nos nossos bairros e escolas para que as pessoas tenham a ciência de que isso não é lixo, de que isso é um material reciclável, que é uma renda para pais e mães de família”.

O coordenador executivo do Centro de Arte e Meio Ambiente (CAMA), Joilson Santana, destacou a importância da iniciativa para elevar a competitividade e renda do setor. “Hoje estamos iniciando uma parceria inédita entre as organizações não governamentais, o CAMA, as cooperativas e a indústria aqui do estado. Uma oportunidade para fomentar a organização desses empreendimentos, a fim de garantir avanços, de maneira a incluir economicamente os catadores”.

Ao final da atividade, foram elencadas prioridades, como o fortalecimento de parcerias, o acesso facilitado ao crédito para investimentos em infraestrutura e tecnologia e a implementação de programas de capacitação continuada para os catadores.

Para Jeane Santos, representante do Movimento Nacional dos Catadores, a categoria luta por essas melhorias, como um projeto de formação permanente. “Estamos aqui ocupando espaços de negócios e de decisões, locais que não participávamos antes. Agradecer a parceria de todos os entes presentes, como a FIEB, a Sema e empresas, e dizer que nossa meta é que todas as cooperativas alcancem a autossuficiência de sua gestão”.

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