Publicado: 03/08/2023
Última atualização: 05/10/2026 às 15:15
A empolgação da perita criminal Sueli Selma de Santana Lima, lotada na Coordenação de Balística Forense do Instituto de Criminalística Afrânio Peixoto (Icap), do Departamento de Polícia Técnica (DPT), ao analisar projéteis e cápsulas usadas em crimes é notória. O trabalho desenvolvido por ela e mais quatro peritas criminais e duas técnicas indica qual e quantas vezes uma arma foi utilizada em um delito.
Além da análise de estojos, cartuchos deflagrados, e projéteis coletados nos locais de crime ou retirados das vítimas que chegam ao Instituto Médico Legal, a especialista também examina as armas de fogo apreendidas como prova.
"Nosso trabalho é identificar os itens com eficiência, revelar números de séries suprimidos, identificar possíveis defeitos nos mecanismos dos armamentos com teste de tiro acidental, verificar de calibres e modelos de arma utilizada em determinado delito e fazer a microcomparação balística", disse ao listar algumas das muitas atividades desenvolvidas na unidade.
Das atribuições, Sueli sorri ao falar da microcomparação balística, atribuição que mais gosta de desenvolver no DPT. "Eu simplesmente sou apaixonada pela microcomparação balística por que é sempre um enigma a ser solucionado. Você pega uma arma questionada, enviada para análise, e vai afirmar ou negar se esse objeto foi utilizado em determinado crime. A gente consegue isso confrontando duas peças, o padrão e a peça, e dá certeza se a arma foi utilizada ou não no crime", ao lembrar que o resultado do exame pode inocentar ou apontar culpa, pois dá a certeza do uso da arma.
A perita mostra com orgulho os equipamentos utilizados para fazer as perícias. "Sempre digo que o conceito de beleza é relativo, pois vejo as imagens encontradas nas peças que chegam para análise e acho a coisa mais linda, simétricas, e que não deixam dúvida", falou.
Início
A profissional é nascida e criada no bairro da Liberdade, em Salvador, e conta que sempre foi muito curiosa e inquieta.
Durante a formação em biologia prestou concurso e foi aprovada como perita técnica. Pouco tempo depois, pediu para sair e foi trabalhar no Instituto de Meio Ambiente e Recurso Hídricos, onde ficou por apenas seis meses, até ser aprovada para o cargo de perita criminal.
Desde então, integra a força de segurança da qual não esconde a paixão, sentimento propagado para a única filha que deseja seguir carreira no DPT.
Música, fé e praia
A perita mantém o equilíbrio emocional e mental em atividades que ama. Diz que longas caminhadas na praia ajudam a relaxar corpo e alma. "Quando vejo meu corpo anunciar que estou muito estressada, eu vou para praia. Mas é o preço que a gente fazer o que se gosta", contou.
Ela faz parte da Irmandade dos Homens Pretos, presente na igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, que ajudava as pessoas escravizadas há cerca de 300 anos na busca pela liberdade. " Antigamente os escravizados não podiam assistir a missa dentro da igreja e ela foi fundada para isso. Hoje ela concentra um grande número de negros e trabalhamos com a resistência em relação a nossa cultura, o nosso jeito de ser", frisou.
Instrumentos musicais da cultura baiana, como o agogô, dão a melodia durante a liturgia. "Nós trabalhamos muito contra a intolerância religiosa por que todos têm o direito de professar sua fé e precisamos respeitar isso", contou, ao lembrar de um episódio de intolerância do qual foi vítima.
Maior desejo
Às vezes a sociedade passa a imagem que o servidor só trabalha sob pressão e isso é tão injusto. A gente aqui está sempre trabalhando muito e as vezes se estressa para dar conta.
A servidora segura as lágrimas ao afirmar que seu grande desejo é o fim da violência. "Espero que diminua essa situação, pois quem mais sofre são as pessoas. Não depende da polícia, ela tá lá no final, depende de toda uma estrutura, educação, lazer e formação aos jovens". E diz que contribui para isso com empenho e um trabalho de qualidade.
Além da análise de estojos, cartuchos deflagrados, e projéteis coletados nos locais de crime ou retirados das vítimas que chegam ao Instituto Médico Legal, a especialista também examina as armas de fogo apreendidas como prova.
"Nosso trabalho é identificar os itens com eficiência, revelar números de séries suprimidos, identificar possíveis defeitos nos mecanismos dos armamentos com teste de tiro acidental, verificar de calibres e modelos de arma utilizada em determinado delito e fazer a microcomparação balística", disse ao listar algumas das muitas atividades desenvolvidas na unidade.
Das atribuições, Sueli sorri ao falar da microcomparação balística, atribuição que mais gosta de desenvolver no DPT. "Eu simplesmente sou apaixonada pela microcomparação balística por que é sempre um enigma a ser solucionado. Você pega uma arma questionada, enviada para análise, e vai afirmar ou negar se esse objeto foi utilizado em determinado crime. A gente consegue isso confrontando duas peças, o padrão e a peça, e dá certeza se a arma foi utilizada ou não no crime", ao lembrar que o resultado do exame pode inocentar ou apontar culpa, pois dá a certeza do uso da arma.
A perita mostra com orgulho os equipamentos utilizados para fazer as perícias. "Sempre digo que o conceito de beleza é relativo, pois vejo as imagens encontradas nas peças que chegam para análise e acho a coisa mais linda, simétricas, e que não deixam dúvida", falou.
Início
A profissional é nascida e criada no bairro da Liberdade, em Salvador, e conta que sempre foi muito curiosa e inquieta.
Durante a formação em biologia prestou concurso e foi aprovada como perita técnica. Pouco tempo depois, pediu para sair e foi trabalhar no Instituto de Meio Ambiente e Recurso Hídricos, onde ficou por apenas seis meses, até ser aprovada para o cargo de perita criminal.
Desde então, integra a força de segurança da qual não esconde a paixão, sentimento propagado para a única filha que deseja seguir carreira no DPT.
Música, fé e praia
A perita mantém o equilíbrio emocional e mental em atividades que ama. Diz que longas caminhadas na praia ajudam a relaxar corpo e alma. "Quando vejo meu corpo anunciar que estou muito estressada, eu vou para praia. Mas é o preço que a gente fazer o que se gosta", contou.
Ela faz parte da Irmandade dos Homens Pretos, presente na igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, que ajudava as pessoas escravizadas há cerca de 300 anos na busca pela liberdade. " Antigamente os escravizados não podiam assistir a missa dentro da igreja e ela foi fundada para isso. Hoje ela concentra um grande número de negros e trabalhamos com a resistência em relação a nossa cultura, o nosso jeito de ser", frisou.
Instrumentos musicais da cultura baiana, como o agogô, dão a melodia durante a liturgia. "Nós trabalhamos muito contra a intolerância religiosa por que todos têm o direito de professar sua fé e precisamos respeitar isso", contou, ao lembrar de um episódio de intolerância do qual foi vítima.
Maior desejo
Às vezes a sociedade passa a imagem que o servidor só trabalha sob pressão e isso é tão injusto. A gente aqui está sempre trabalhando muito e as vezes se estressa para dar conta.
A servidora segura as lágrimas ao afirmar que seu grande desejo é o fim da violência. "Espero que diminua essa situação, pois quem mais sofre são as pessoas. Não depende da polícia, ela tá lá no final, depende de toda uma estrutura, educação, lazer e formação aos jovens". E diz que contribui para isso com empenho e um trabalho de qualidade.