Ministra do Meio Ambiente e ONU conhecem soluções de convivência com a Caatinga durante visita à Bahia

10/06/2024

Na busca por estratégias sustentáveis para a convivência com a Caatinga, a Ministra do Meio Ambiente e da Mudança do Clima, Marina Silva, o secretário-executivo da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, Ibrahim Thiaw, e o Governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, visitaram a comunidade de Fundo de Pasto de Malhada da Areia, em Juazeiro. O objetivo da visita, realizada nesta segunda-feira (10), foi conhecer de perto as práticas locais e as tecnologias sociais implementadas na região.

Um dos destaques foi o Projeto Recaatingamento, que demonstra como a recuperação de áreas degradadas e a conservação da Caatinga podem ser alcançadas por meio da colaboração com comunidades tradicionais e agricultores familiares. Essa iniciativa exemplifica a eficácia das práticas sustentáveis e a importância do engajamento comunitário na proteção do bioma Caatinga.

A ministra Marina Silva destacou a importância do trabalho e da parceria entre o governo estadual, o governo federal e, principalmente, os governos municipais com o suporte da comunidade. “É muito bonito ver toda essa experiência de como a gente pode conviver com o semiárido, em vez de ficar com aquela lógica de combater a seca. A gente tem que aprender a manejar, restaurar, preservar e usar com sabedoria, como eu vi aqui, inclusive com o quintal produtivo, fazendo as cisternas de placa, para que a comunidade possa plantar, criar seus pequenos animais, ter uma renda e viver com dignidade nesse espaço abençoado por Deus”, afirmou.

Eduardo Mendonça Sodré Martins, secretário estadual do Meio Ambiente (Sema), ressaltou a importância da visita da Ministra em conhecer de perto as práticas locais para a conservação ambiental e a melhoria da qualidade de vida das populações do semiárido. Ele enfatizou que projetos como o Recaatingamento são cruciais para combater a desertificação e promover a sustentabilidade na região.

O secretário destacou ainda a importância da visita para enfatizar a relevância da região semiárida e a viabilidade de programas de convivência sustentável com o bioma. “Essa experiência será fundamental para discutirmos em um contexto global, quando o Brasil apresentar o Plano Nacional de Combate à Desertificação na COP 16, no final do ano, na Arábia Saudita”, pontuou Eduardo Sodré.

“A Bahia está colaborando ativamente com o Governo Federal na criação de políticas públicas para proteger a Caatinga. Com o suporte do Ministério do Meio Ambiente, o estado está desenvolvendo seu plano estadual de combate à desertificação. Em breve, será lançada uma consulta pública para que a comunidade participe ativamente desse processo, fortalecendo o engajamento e a construção coletiva de soluções sustentáveis para a região”.

Convivência com a Caatinga

O projeto de recaatingamento, coordenado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), conta com vinte áreas em doze municípios, totalizando mil hectares isolados. Em apenas um ano de isolamento em uma dessas áreas, foi observado o armazenamento de 600 toneladas de carbono, mostrando o potencial da Caatinga nesse aspecto. Esses resultados ressaltam a importância da preservação da Caatinga não apenas para o armazenamento de carbono, mas também para a biodiversidade local.

Outros projetos estruturantes também estão sendo implementados no bioma da Caatinga, como o Sertão Vivo, uma parceria entre o BNDES e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA). Este projeto visa aumentar a resiliência climática da população rural do semiárido nordestino, com um investimento de R$ 1,8 bilhão direcionado ao fortalecimento da agricultura familiar e regenerativa do bioma.

Na Bahia, pode-se destacar o Programa Pró-Semiárido e o Água Doce, programa nacional coordenado no estado pela Sema que garante água de qualidade para consumo humano no semiárido baiano por meio de sistemas sustentáveis de dessalinização. Com mais de 90% de execução, o programa já beneficiou mais de 110 mil pessoas em 55 municípios, com 291 obras concluídas e processos contínuos de monitoramento e manutenção dos sistemas.


Fotos: Thiago Jr/Ascom Sema