Bahia reduz em 27% área sob alertas de desmatamento no Cerrado, aponta Inpe

Publicado: 12/08/2026 Última atualização: 23/09/2026 às 14:43
Bahia reduz em 27% área sob alertas de desmatamento no Cerrado, aponta Inpe
Matheus Lemos/Ascom Sema

A Bahia registrou 534,94 km² sob alertas de desmatamento no Cerrado entre agosto de 2025 e julho de 2026, segundo a série histórica do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para emitir alertas diários de supressão ou degradação florestal. O resultado representa uma redução de 27% em relação ao ciclo anterior e corresponde ao menor volume anual de área sob alertas registrado para o estado desde o início da série, em 2017/2018.

Os dados mostram uma trajetória de redução nos últimos três ciclos. Depois de alcançar 1.662,34 km² em 2022/2023, a área anual sob alertas caiu para 791,81 km² em 2023/2024, recuou novamente para 732,63 km² em 2024/2025 e chegou a 534,94 km² no ciclo mais recente. A comparação entre os dois últimos períodos evidencia uma redução de 197,69 km² na área sob alertas, equivalente a 27%. O resultado também representa uma queda de aproximadamente 67,8% em relação ao pico registrado na série, em 2022/2023.

Na Bahia, o acompanhamento da vegetação nativa no Cerrado combina monitoramento por satélite, análise de alertas e ações de fiscalização promovidas pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) em campo. O uso dessas ferramentas permite identificar áreas com indícios de supressão, cruzar informações ambientais e direcionar as equipes para locais que demandam verificação, dando maior eficiência as ações em campo.

Nas operações realizadas no Oeste baiano, o Inema utiliza dados de sensoriamento remoto para selecionar áreas prioritárias. Na Operação Mata do Guará, realizada em 2024, por exemplo, os técnicos fizeram o mapeamento prévio dos pontos a serem fiscalizados a partir de alertas diários de alteração da cobertura vegetal e imagens de satélite. A operação alcançou sete municípios do Cerrado e fiscalizou mais de 3 mil hectares de áreas indicadas pelos sistemas de monitoramento.

A estratégia também foi empregada na Operação Mata do Guará + Águas do Oeste, realizada em março de 2025. Na ocasião, alertas de desmatamento foram selecionados a partir de dados do Programa Brasil M.A.I.S., permitindo o acompanhamento da evolução das áreas por meio de imagens de satélite e a definição dos locais a serem vistoriados pelas equipes. A ação fiscalizou mais de 3 mil hectares em cinco municípios do Cerrado baiano.

O monitoramento remoto é integrado a outras bases de dados utilizadas pelo Inema. Desde 2024, o Sistema Integrado de Fiscalização da Vegetação Nativa (SIFVN) permite cruzar informações do MapBiomas Alerta com imagens de satélite de alta resolução do Programa Brasil M.A.I.S. e os dados do Cadastro Estadual Florestal de Imóveis Rurais - CEFIR, contribuindo para a análise de possíveis supressões não autorizadas e para o planejamento das fiscalizações em campo.

Outra frente relacionada à proteção do Cerrado é o Programa Bahia Sem Fogo, coordenado pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema), com participação do Inema e de outros órgãos. A iniciativa reúne ações de prevenção e combate aos incêndios florestais, especialmente em períodos de maior risco de queimadas, e utiliza informações técnicas para apoiar o planejamento das atividades de campo.

As ações de fiscalização também estão inseridas no Pacto pelo Cerrado, estratégia que reúne medidas de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento ilegal no bioma. Em operações realizadas na região Oeste, as equipes do Inema atuaram a partir do cruzamento de alertas do Deter, imagens de satélite e informações cadastrais para identificar áreas prioritárias para fiscalização.

Cerrado e recursos hídricos

A redução dos alertas ocorre em um bioma de importância estratégica para a Bahia. O Cerrado ocupa cerca de um terço do território do estado, principalmente na região Oeste, e concentra áreas de grande relevância para a disponibilidade hídrica, além de abrigar espécies de fauna e flora características.

O bioma é associado à presença de importantes rios e nascentes, incluindo áreas das bacias dos rios São Francisco, Corrente e Grande. Também se destaca pela ocorrência de águas subterrâneas, como as associadas ao aquífero Urucuia.

A biodiversidade inclui espécies como lobo-guará, tatu-canastra e seriema, além de plantas e frutos utilizados por comunidades locais, entre eles pequi, baru e buriti. Esses recursos também possuem importância cultural e econômica para atividades relacionadas à sociobiodiversidade.

Apesar da redução observada nos indicadores mais recentes, o Cerrado permanece submetido a pressões relacionadas à expansão agropecuária, às queimadas e à supressão irregular da vegetação nativa. O acompanhamento por satélite, a fiscalização em campo e a análise de denúncias integram as estratégias utilizadas para identificar e combater ocorrências de degradação ambiental.